quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

RENOVAÇÃO PSICOLÓGICA.




José Fabiano Ferraz - Psicólogo.


Gosto muito da idéia de renovar, pois indica que estamos aproveitando o que temos e renovando. Não precisamos ser outra pessoa para renovar, não precisamos abandonar características importantes de nosso ser para renovar. Renovar indica que a partir do que temos iremos acrescentar e melhorar. Algumas pessoas não procuram o processo de psicoterapia, pois acreditam que o psicólogo tentará transformá-la numa outra pessoa. O processo de psicoterapia é, sobretudo, um processo de autoconhecimento, e o que a pessoa vai fazer a partir deste autoconhecimento é de inteira responsabilidade dela.
O que você apresenta ao mundo é o melhor que você construiu no seu processo de vida. Quando a pessoa pensa em mudar sua vida, ela imagina que tem de mudar sua pessoa como um todo. Não é bem assim. Gosto do exemplo da mudança de residência e, acredito que a grande maioria das pessoas já viveu a experiência de mudar de residência. Quando você muda, de residência, você precisa tirar tudo do lugar e geralmente descobre que guarda um monte de coisas de que não precisa mais. Por outro lado não consegue desfazer dessas coisas, pois esta apegada a elas, geralmente por um conteúdo emocional. Na mudança de residência, você também descobre que irá precisar de algumas coisas, que você ainda não tem, para viver na nova residência. Mesmo que você não consiga adquirir no momento, por situações que independem de sua vontade, você está consciente da sua necessidade de adquirir coisas novas neste processo de mudança. Muitas vezes acontece de você descobrir no meio da mudança, que tem algo que estava encostado e que pode lhe ser muito útil, mas que você nem se lembrava mais dele.
Este exemplo é muito bom quando pensamos em processo de mudança de vida. Pois isto acontece em nossa vida psicológica. Às vezes em meio ao processo psicoterapêutico, descobrimos que guardamos alguns sentimentos, alguns padrões de comportamentos adquiridos na infância, e veja bem, que foram muito úteis naquela época de nossa vida, mas que hoje não serve mais para nosso contexto atual. Eu às vezes digo que são formas que possuímos e estão com o prazo de validade vencido. A pessoa apegada a estas formas sente que se deixarem estes sentimentos e estas formas para trás, deixará de ser ela mesma. Às vezes são características que considera como qualidades. Por exemplo: seus pais ensinaram que você deve ser prestativo e ajudar sempre as pessoas, isto sem dúvida é uma qualidade. Mas quando adulto se você não consegue dizer “não” e colocar limites, pode acabar tendo problemas, e, quem sabe, essa “qualidade” torna-se um “defeito”. Você fica cheio de coisas para fazer, principalmente no trabalho, sente-se explorado pelas pessoas, mas não consegue mudar esta característica.
Também ocorre em nossa vida psíquica, a situação de precisar desenvolver algumas características que não possuímos. Um caso muito freqüente, que ocorre hoje em dia, é a característica da iniciativa e tomada de decisão. Algumas pessoas por uma questão de contexto social e familiar, não desenvolveram estas características em sua vida. É importante esta consciência de que precisam desenvolver algo que não tem. Como também é importante entender que, no campo psicológico, isto não acontece de uma hora para outra. Precisa praticar e experimentar, aprender com o método da tentativa e erro. Isto significa que você vai tentar, e se não tiver êxito, poderá rever seu modo de agir e tentar novamente e assim sucessivamente até adquirir esta forma, este padrão de que você precisa.
E finalmente, no processo de psicoterapia, a pessoa descobre características psicológicas importantes para sua vida, que pode ajudar muito, que ela possui, mas que estavam esquecidas em algum esconderijo de seu inconsciente. Características que foram guardadas no inconsciente por razões talvez até desconhecidas, para proteger a sobrevivência do “eu”. Já presenciei casos, no consultório, de pessoas que trouxeram para a vida características como: alegria, descontração e espontaneidade, que estavam esquecidas no porão do inconsciente devido a uma criação rígida, formal e conservadora vivida na infancia.
As qualidades de ontem podem ser o problema de hoje. Os defeitos de hoje podem ser o aprendizado para o amanhã. Sem dúvida, existem características que nos ajudam a evoluir e crescer como ser humano, precisam ser praticadas. Também é preciso tomar muito cuidado com as regras de comportamento que são ditadas. A vida é um processo e estamos construindo a nós mesmos durante todo o processo de viver. O importante é ter consciência do sentido das coisas que fazemos, e estar apropriado dos efeitos de nossas atitudes e de nossas escolhas. Todos têm qualidades e defeitos, como também pontos fortes e fracos, até aí nenhuma novidade. Mas algumas pessoas conseguem lidar com seus próprios defeitos e até mesmo superá-los e outras não. Alguns conseguem aprender com seus pontos fracos e melhorar.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

VERDADES E MENTIRAS.



José Fabiano Ferraz

Certa vez ouvi a seguinte expressão em meu consultório: “toda mentira contada com convicção vira uma verdade”. Quem de nós já não experimentou a sensação de acreditar em sua mentira? Pelo menos na infância isso é muito comum. A mentira surge como um modo de tirar o peso da realidade e torná-la mais agradável. A criança inventa sem o menor constrangimento uma realidade que seja agradável. E quando adultos se a realidade parece muito dura e cruel utilizamos deste recurso mental para suportá-la. Se você perguntar às pessoas se já mentiu em sua vida, acredito que a grande maioria, se não mentir, dirá que sim. Se a grande maioria das pessoas utiliza este recurso, ele deve ser muito importante e útil. Mentimos porque construímos ideais. Construímos uma imagem ideal de nossos pais, de nossos parceiros, de nossa vida, de nosso trabalho. Existem modelos desses ideais prontinhos para serem consumidos. E nós somos capturados por esses modelos sem que a gente se dê conta disso. É um seqüestro mental, quando vemos estamos mentindo para nós mesmos, com a convicção de uma verdade.
Acontece que com o passar dos anos vamos acumulando experiência de mentiras em nossa vida, e começamos a mentir não mais para tornar a realidade agradável, mas para negar e esconder a realidade em nossa vida. A mentira deixa de ser um recurso que faz parte de nossa existência e torna-se a própria existência. Quando a pessoa entra em um processo de autoconhecimento, por exemplo, psicoterapia, leva muitos sustos de como organizou sua vida. Pode ter um casamento, uma profissão, um trabalho que é uma grande mentira e que ela se esforça para acreditar. Neste caso a pessoa acha melhor pagar a conta do analista para não saber quem ela é (parafraseando Cazuza). È um processo muito duro e doloroso, desconstruir as ilusões em nossa vida, alguns experimentam e abandonam o processo de autoconhecimento, mas outros encontram, neste processo, a possibilidade de viver a verdade.
Certa vez atendendo um caso de depressão, no decorrer do processo escutei a seguinte expressão da pessoa: “Estou descobrindo a mentira que é a minha vida, na verdade sou uma farsa e minha vida uma piada de mau gosto”. Mas em meio a essas descobertas desagradáveis, a pessoa encontrou algumas verdades que poderiam dar força e motivação para mudança em sua vida. Estas verdades sempre estiveram presentes em seu interior, faz parte do seu projeto essencial de vida e é o que dá sentido a sua vida. Mas, com o tempo, foram se perdendo em meio às preocupações cotidianas. Sem perceber a pessoa vai se alienando da sua principal tarefa nesta vida que é tornar-se si mesmo, expressar o seu potencial para fora de si mesmo. Quando vivemos a verdade que dá sentido a nossa vida, estamos realizando o projeto essencial de nos tornamos nós mesmos e encontramos a eternidade, aquilo que queremos fazer para sempre e que fará o nosso ser eterno. Não estou falando genericamente sobre a depressão, querendo dizer com isso que todos que sofrem de depressão apresentam essas características. O que estou dizendo é do desvio do seu projeto essencial de vida, que em algum momento se perdeu no processo de sua vida e com isso a mentira foi o recurso psicológico de sobrevivência. A depressão é uma conseqüência, assim com a ansiedade, o stress, em fim os problemas psicológicos e emocionais.
No evangelho de João no capítulo 8 versículo 32 encontramos o seguinte: “e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Heidegger afirma que a verdade é a essência da liberdade. Então da próxima vez que você utilizar a mentira como um recurso existencial, pense sobre isso. Vamos construindo nossa existência com base nas mentiras que inventamos, e nossa existência se torna uma mentira.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL!




José Fabiano Ferraz - Psicólogo - 12 - 39136519


A todos que visitam este blog e acompanham as colunas, desejo um feliz natal e próspero ano novo. Que a Paz Interior, responsável pela saúde da alma, esteja presente na vida de todos.






Retornarei com as colunas a partir do dia 13 de janeiro.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O SENTIDO DO NATAL




José Fabiano Ferraz - 12 - 39136519


Neste mês de dezembro gostaria de fazer uma série de reflexões sobre as festas de final de ano. No natal comemoramos o nascimento de Jesus e logo em seguida o ano novo. Mas gostaria de analisar estas datas sobre algumas perspectivas específicas. A semana passada refletimos sobre a fraternidade e sua indissociável aliança com a justiça. Esta semana vamos refletir sobre a questão do sentido que tem para nós a festa de natal. Às vezes parece, tão somente, que a data esta ligada a glutonaria, bebida e drogas que estão presentes de forma assustadora nestas festividades. Torna-se um padrão, um hábito, nocivo as nossas relações pessoais do qual não possuímos consciência. Não pretendo apresentar nenhuma doutrina religiosa, nem defender nenhum tipo de denominação, gostaria de refletir sobre Jesus Cristo seu nascimento e o que isto representa para os Cristãos. Todo cristão batizado entrega a Jesus a direção de sua vida. Aceita que Jesus não somente nos deu a vida, mas também a restaurou. Todo cristão batizado entende que deve a Ele muito mais do que pode possuir e pagar. O interesse mais íntimo de Jesus foi com o nosso bem estar, Ele nos amou e nos ensinou a amar uns aos outros. Ele nos disse que amar o outro é amar a Deus. Foi por um respeito ao ser humano, das limitações deste ser que Jesus se compadeceu. Ele nos vê como um ser real e Ele é consciente de nossa natureza humana.
O amor é o próprio Deus. Jesus Cristo é o amor de Deus que tem carne e sangue, portanto o amor que tem carne e sangue pode perdoar os pecados cometidos pela carne e pelo sangue. O sangue de Cristo, o seu sangue humano, nos purifica aos olhos de Deus, nos limpa de nossos pecados. Nós somos perdoados como seres de carne e osso. É sobre isto que trata a festa do natal, este é o principal, eu diria único objetivo de nos reunirmos e festejarmos o nascimento de Jesus. Mas é importante que em nossa ceia de natal esteja também, como prato principal, a Palavra de Deus como alimento da alma. O que Jesus nos trouxe de ensinamento e verdade sobre nossa condição humana. Se a Palavra de Deus é desagradável ao paladar não há dúvida que estamos de penetra nesta festa. Apresentamos a nossa alma doente, as nossas enfermidades e Ele nos oferecem o alimento que precisamos reter para a vida. O natal é a lembrança que guardamos da suave humanidade de Jesus, nosso Deus, para encher de alegria nossa festa e desaparecer o rancor ou a animosidade. Neste instante de alegria em que comemoramos o nascimento de Jesus, todo homem deveria sentir no coração o desejo de ter o próximo em seus braços, com grande satisfação. Trocar, juntamente com os presentes, a alegria de uma vida cristã. A condição que Ele estipula para que haja paz é a de que nós lutemos, com todas as forças de nosso corpo contra todos os vícios, sejam de comportamentos, ou de substâncias químicas.
No amor somos dependentes, porque o amor é a necessidade do outro ser. Solidão é autonomia e independência do outro. Só razão nos dá a condição de independência, mas a razão é “eu”, mas o sentimento é o “tu” é a relação que se estabelece. Só a razão com amor, e o amor com razão é o homem total, dotado de espírito. Jesus manifestou-se como humilde, como aliado do vencido, do pobre, do banido. O Deus que se humilha para estar junto com o humilde diz o profeta Isaias. O mendigo que não tem onde pousar a cabeça foi assim que Jesus se apresentou ao mundo. Este é o significado do natal, quem puder entender saberá que isto se refere a uma prática que não é deste mundo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

DEZEMBRO O MÊS DA FRATERNIDADE.


José Fabiano Ferraz - Psicólogo - 12 - 39136519

Chegamos ao mês de dezembro, natal, festas e confraternizações. Um sentimento de oferecer ao outro o melhor de nós, seja um presente, um gesto, uma palavra, um abraço, etc. Mas este sentimento que invade as pessoas nesta época do ano é digno de confiança? Será que as pessoas mascaram sua verdadeira condição humana para ficar bonzinho em dezembro, pelo que este mês representa? Fazer caridade e fraternidade em dezembro é apenas uma necessidade social? Estas são questões que muitas vezes são levantadas nesta época do ano. Quero refletir com você sobre, a fraternidade, este sentimento que se expressa nas pessoas, movidas pela data de 25 de dezembro o nascimento de Jesus Cristo.
O que vemos muitas vezes em nosso ambiente mais próximo são o cuidado e o carinho que existe às pessoas que amamos. De certa forma até desigual em relação aos demais. Uma lealdade, às vezes, cega de ajuda no relacionamento entre mãe e filho, irmãos e casais. São fortes laços de afeição e empatia que ficam reduzidos a um circulo restrito de pessoas. Quando falamos de fraternidade, devemos obrigatoriamente por de lado nossas preferências e prováveis recompensas por nossos atos. O sentimento de caridade universal, não é indiferente as interações e não se exime da responsabilidade pelo outro. Vemos então que a caridade esta acompanhada, inevitavelmente, da justiça e da misericórdia. Estamos falando da bondade que se fundamenta na justiça, que pode sempre ser aperfeiçoada contra as suas próprias durezas. É na responsabilidade pelo outro, que a pratica da fraternidade torna-se possível em sua busca inflexível e corajosa de justiça. Estamos falando, portanto, da democracia ideal em que cada um leva muito a sério o bem do todo. Coisa que salvo momentos de catástrofes, estamos longe de conseguir. Justiça, neste contexto, é agir para que todos tenham o que é seu direito, a fraternidade, no que se refere ao valor de todos os homens. Mas somos colocados a prova quando enfrentamos o que sentimos por nossos adversários. Quando precisamos exercitar o respeito por opiniões diferentes das nossas, e principalmente pelas pessoas que as defendem. O respeito pelo meu inimigo, provavelmente me levará ao nível de humanidade e ideais onde ele e eu temos alguma coisa em comum. Quando o respeito prevalece compreendemos que fazemos parte de um mesmo roteiro evolutivo da humanidade. Fraternidade neste nível é um crescimento da alma, que acaba por unir todos os homens e sobrevive a morte pessoal.A fraternidade manifesta-se em nosso espírito quando estamos insatisfeitos. Quando estamos indignados com as coisas que acontecem ao nosso redor e, ficamos cansados de lutar pelos próprios interesses. Quando nos sentimos solitários por falta de contato emocional e, frustrados na expressão de nossos sentimentos de bem querer o outro. A verdadeira fraternidade é a maior responsável pelas lutas e batalhas sociais. É quando aceitamos os desafios que envolvem as causas sociais, quando exigimos a justiça e não a vingança. O sentimento de respeito e responsabilidade para com o outro, a disposição em morrer pelo outro é parte da natureza humana. Portanto, o sentimento de fraternidade é digno de confiança, libera a pessoa de sua atitude de defesa abrindo-se a reações positivas e construtivas ao bem comum. Ela esta presente quando somos solicitados a ajudar vítimas de catástrofes, quando nos dispomos à voluntariamente entregar nosso tempo a causas sociais. Mas a caridade é impossível sem a justiça, e a justiça se deforma sem a caridade. O amor ao outro é, sem dúvida, uma necessidade da própria existência humana. A consciência de nossa humanidade esta no acolhimento, na obrigação e no respeito ao outro, é o outro primeiro esta é a questão básica de uma consciência de fraternidade. Somos parte de uma longa busca humana, conduzimos dentro de nós toda a história do próprio universo que faz parte do inconsciente coletivo da humanidade. Por fim entender que a verdade é que nós e o outro somos um só, que não existe separação, que nós e o estranho somos dois aspectos de uma só vida. Como diz Campbell, em seu livro o poder do mito: “O herói é aquele que deu sua vida física a algum tipo de concretização dessa verdade.”

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

MAIS UMA CRISE MUNDIAL! E AGORA?




José Fabiano Ferraz - Psicólogo - 12- 39136519.


O desenvolvimento tecnológico gera profundas alterações na economia mundial. Uma delas que podemos presenciar em nosso dia a dia, é que perdem valor as coisas tangíveis e passam a ser valorizadas as intangíveis. As máquinas, matéria prima, prédios e outros bens convencionais estão sendo substituídas pelas células, fibras óticas, automatização, programas de computação, engenharia genética, isto só para citar alguns desenvolvimentos tecnológicos que geraram uma verdadeira mutação econômica e social. As empresas com dificuldade de adaptação ao novo modelo econômico são candidatas naturais, a enfrentar graves crises com perspectivas sombrias de seu futuro. Temos agora os Estados Unidos como pivô de mais uma crise mundial. E neste momento difícil da economia norte americana surge à aposta em um líder carismático, valorizando a ideologia capitalista e democrática como sendo a alternativa para sair da crise criada por esta própria ideologia. A proposta esta sustentada no afetivo e emocional das pessoas, mais particularmente dos norte americanos, destacando a vontade e o nacionalismo como vetor fundamental para superação da crise. Deixa de ser um problema inteiramente econômico social e assume características emocionais, que envolve a nação num desejo de “nós podemos ser melhores”.
Mais do que um pacote econômico, com congelamento de preços ou alternativas terceiro mundistas, destaca-se uma idéia apresentada na força dos ideais norte americanos. Estamos diante de um exemplo clássico da valorização das idéias, da não matéria em detrimento da concretude de uma proposta puramente econômica. É uma alternativa de sair da crise em conformidade com a mega tendência de valorização do conceito de não matéria. Apenas alguns pequenos exemplos para reforçar esta mega tendência: o meu avô se barbeava utilizando uma navalha, meu pai utilizava uma lâmina de barbear inventada por Gillette e hoje eu uso aparelhos descartáveis de barbear. Uma busca pela não matéria. Como professor universitário eu vejo os alunos com sues note books dispensando as apostilas e livros. Temos as máquinas fotográficas descartáveis. Hoje a grande maioria dos hotéis não possui chaves para os quartos e sim cartões magnéticos. Podemos preencher mais algumas folhas com exemplos de não matéria sendo o valor principal de nosso século.
As organizações que acompanham as mega tendências, estão conscientes que o seu valor não se mede mais em termos de seu patrimônio físico, seja ele constituído de dinheiro, prédios, máquinas, terras ou outros mais. Hoje uma empresa valerá mais do que outra em termos de comparações que envolvem a não matéria, ou seja, em relação à capacidade intelectual de seus recursos humanos. Estes são valores que não se sabe como contabilizá-los. O capital financeiro, recurso estratégico da sociedade industrial, é substituído, na sociedade informatizada, pelo capital humano. Isto requer uma nova concepção por parte das organizações, mais fluída, flexível e principalmente ágil no aproveitamento do tempo e adaptação às mudanças. No atual quadro econômico, a adoção desta nova concepção é uma questão de sobrevivência. Não só para as grandes empresas, mas também para as pequenas organizações. Portanto precisamos aprender a investir na capacitação e intelectualização do capital humano. Pois ele é, com certeza, o principal recurso para sobreviver em tempos de crise. As pessoas na organização devem ser capazes de fazer julgamentos, adotar decisões em vez de executarem mecanicamente ordens transmitidas. Mesmo porque as empresas precisam superar as barreiras da comunicação e incentivar a inovação. Em tempos de crise a educação é o fator decisivo da sobrevivência de uma empresa, pois os recursos financeiros e concretos de uma organização são finitos, mas nós sabemos que a informação e a aprendizagem são infinitas. O que as pessoas podem dentro de suas habilidades surpreenderá qualquer expectativa, desde que ela tenha o devido preparo técnico, pessoal e motivacional. O empresário que corta custos de treinamento em tempos de crise, esta na contramão das mega tendências e terá o seu negócio ameaçado a cada crise. Mais uma vez os Estados Unidos utilizam sua potencia ideológica, em busca de alternativas da superação de sua crise econômica. Copiamos muitas coisas dos norte americanos, que possamos aprender algumas lições de como enfrentar problemas econômicos utilizando o capital intelectual.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

CARACTERÍSTICAS DO COMPORTAMENTO EFICAZ.




José Fabiano Ferraz - Psicólogo -12 - 39136519


Podemos entender o comportamento eficaz como aquele que esta em harmonia com o ambiente e as relações interpessoais, possibilitando uma melhoria na qualidade de vida das pessoas que se inter-relacionam conosco e, proporcionando a nós mesmos uma adaptação saudável. Para atingir esta harmonia devemos ter um repertório de comportamento amplo e variado, para fazer os ajustes necessários em nossas atitudes (e quando falamos em atitudes estamos nos referindo aos estados internos de nosso organismo) dando a resposta mais adequada à situação. Não podemos pensar em comportamento eficaz sem, necessariamente, pensar em mudança em nossa forma. Com isso estou querendo dizer que não podemos eleger alguns comportamentos como formas absolutas, de sermos eficazes em nossa proposta de vida. O comportamento eficaz irá variar de acordo com o ambiente, a situação, o objetivo e a localização espaço temporal em que nos encontramos. Vou dar um exemplo: nós sabemos que a irritação e a conseqüente agressividade são comportamentos que refletem nossa incapacidade de lidar com a situação. Irritamo-nos, geralmente, com situações que fogem ao nosso controle e muitas vezes não temos como mudar as condições externas que as ocasionam. Nestas situações a única coisa que podemos fazer é, lidar com a irritação em nós. Pois nós podemos mudar a maneira como estas situações nos afetam. Nós somos afetados pelas circunstâncias externas; algumas vezes podemos modificar essas situações, outras vezes podemos evitá-las, mas na maioria das vezes temos que vivenciá-las. Principalmente quando se trata de situações no ambiente profissional. Portanto o comportamento eficaz é sempre focado em minha presença no aqui e agora. Tenho que aprender a olhar e a conversar comigo mesmo, num papo franco e honesto, identificando as minhas questões pessoais e aprender a lidar com essas questões. Vamos ver outro exemplo: você teve um problema com a avaliação que seu líder fez sobre seu desempenho. Você acredita que ele não foi justo à análise que fez de seu desempenho. Você então procura seu líder e, solicita explicações sobre os critérios utilizados na avaliação. Quando ele começa a explicar, você vai ficando irritado e nervoso com as argumentações que ele faz, seu pensamento reforça a posição de que ele esta sendo injusto e ineficiente na avaliação que esta fazendo. Automaticamente você começa a imaginar que ele tem alguma questão pessoal com você, que ele esta protegendo algumas pessoas de sua área, que ele é um chefe de tribo, de bando e não um líder de equipe. A esta altura você não esta mais ouvindo o que ele esta falando, perdeu a propriedade da emoção e a condição de gerenciar a sua revolta e sua irritação com seu líder. Quando isto acontece, fatalmente nosso comportamento estará prejudicado pelo nosso descontrole emocional. Nesta situação ou você se cala, sai de cara emburrada, insatisfeito candidato a uma úlcera, gastrite ou coisa do gênero ou, você num arroubo emocional coloca toda sua insatisfação e sua ira para fora. O que seria um comportamento eficaz nesta situação? Gerenciar suas atitudes, ficar atento as reações internas de seu organismo, a tensão, a respiração, a impaciência, intolerância, arrogância e administrar estes estados emocionais. Todas estas reações emocionais podem ser gerenciadas, é uma questão de aprendizado. Apropriado de suas emoções, cuidando de sua presença neste momento, você poderá, com toda certeza, construir argumentações sobre o seu ponto de vista.
O comportamento eficaz terá alguns princípios norteadores, para concretizar o plano estabelecido por nós mesmos para nossa vida. O conceito de eficácia está ligado à conclusão dos objetivos propostos. Vamos ver então alguns princípios importantes para eficácia de nosso comportamento.
A) Confiança é algo que devemos ter em relação à escolha que fizemos. Pois ao fazer uma escolha, estamos naturalmente fazendo renuncias. Precisamos estar conscientes de que vamos seguir um caminho que envolve mudança, e toda mudança é acompanhada de insegurança. Quando buscamos nossos objetivos de forma planejada, precisamos estar seguros da escolha que estamos fazendo. Iremos sair da zona de conforto na qual nos encontrávamos e nos arriscar. Mas o planejamento de vida é justamente para evitar o comportamento irracional e impulsividade. Portanto é um risco planejado.
B) Determinação só existe com a prática, prosseguir nossa caminhada apesar das dificuldades, tanto internas quanto externas. É a determinação que nos faz buscar superar nossas limitações, nos da esperança nos momentos difíceis e nos ensina a pedir ajuda, fazer o tão necessário network. Quando sentimos medo precisamos de determinação para enfrentar este momento e seguir em frente. Quando nos sentimos vulneráveis e frágeis, precisamos de determinação para seguir no sentido que planejamos nossa vida.
C) Sinceridade é fundamental, principalmente no que se refere a nós mesmos. Para admitir a natureza exata de nossas fraquezas precisamos ser sinceros. São constatações dolorosas que precisam ser honestamente verificadas. È comum a pessoa se achar muito mais capaz do que realmente ela é. Capacidade é algo que adquirimos, todos temos potenciais a serem desenvolvidos, mas podem estar adormecidos devido a dificuldades pessoais. Às vezes mascaramos estas dificuldades com a prepotência, o orgulho e o comodismo. Estas são características que temos dificuldade de assumir, mas que podem prejudicar na eficácia de nosso planejamento de vida.
D) Comprometimento é demonstrado pela ação concreta que temos com nosso planejamento de vida. Falsos compromissos, que muitas vezes assumimos em nossa vida, apenas por conveniência, pois sabíamos que não manteríamos nos momentos difíceis. Cada passo que damos no planejamento de vida revela o nosso compromisso. Arranjar parcerias, trabalhar os passos que planejamos buscar a capacitação necessária são ações práticas que demonstram nosso compromisso.