quarta-feira, 16 de julho de 2008

FÉRIAS


José Fabiano Ferraz - Psicólogo - 12 39136519

Estou vivendo aquela sensação que a maioria das pessoas vivem na véspera de sair de férias. O último dia é o mais difícil, parece que não acaba nunca, dá uma preguiça de fazer as coisas. Pois bem estou escrevendo esta coluna, que é o último compromisso antes de fechar o notebook e sair para umas merecidas férias. O termo férias em sua etimologia designa o período de descanso a que têm direito empregados, servidores públicos, estudantes, etc. Geralmente depois de passado um ano ou um semestre, de trabalhos ou atividades. É uma palavra que provém do latim “feria - ae”, singular de feriae, - arum, que significa entre os romanos o dia em que não se trabalha por prescrição religiosa. A palavra latina feria também se encontra na denominação dos dias da semana, do calendário elaborado pelo imperador romano Constantino III d. C. que lhe deu o sentido de comemoração religiosa, no sec. IV ainda por influência da igreja. Prima feria foi substituído por Dominicus dies (dia do Senhor) e septima feria foi transformado em sabbatu, dia em que os primeiros judeus cristãos se reuniam para orar. No Brasil a legislação trabalhista estabelece um mínimo de 20 ou 30 dias consecutivos por ano de férias, sendo que aquele que tem apenas 20 dias pode requerer compensação pelos outros 10 dias em forma de salário. As férias tem o objetivo de proporcionar um período de descanso por lei, o trabalhador não pode se privar das férias nem por vontade própria, ele deverá cumprir 1/3 do período no mínimo.
A importância das férias é tão grande à nossa saúde que é garantida por lei, mesmo que a pessoa queira abrir mão de suas férias. Precisamos nos afastar por um tempo de nossa rotina diária e de nossos compromissos. Algumas pessoas, e hoje em dia não são poucas, vivem numa correria com muita atividade, sempre ocupada com cobranças por todos os lados. Estudam, trabalham, buscam o desenvolvimento pessoal através de cursos de especialização, envolvem-se em projetos e desafios no trabalho. Podemos perceber que estamos precisando de umas férias, quando nosso nível de energia está reduzido, começamos a ter dificuldade de concentrar em tarefas simples e ficamos desinteressados por nossas atividades cotidianas. O corpo nos dá este limite, e é preciso que respeitemos, pois caso contrário estaremos caminhando para a estafa e o stress. Muitas pessoas vendem as férias, ou nem tiram férias. É preciso parar, mudar de ares. Nosso organismo leva aproximadamente uns quinze dias para sair da rotina, em relação a horário e despreocupações. Por isso precisamos de 30 dias, ou no mínimo 20 dias de descanso.
Algumas pessoas evitam sair de férias, pois sentem que ficam mais estressadas quando estão com a família. O período de férias vira uma rotina, vão sempre aos mesmos lugares, com as mesmas pessoas, fazer as mesmas coisas e na mesma época do ano. Tem aqueles que aproveitam as férias para trabalhar e arrumar a casa, fazer obras e reparos, ou coordenar as obras que contrataram. Existem pessoas que tem dificuldade de ficar sem uma ocupação, não conseguem ficar a toa sem fazer nada. Precisamos aprender a descansar, é algo tão importante que Deus quando fez o mundo descansou no sétimo dia.
As férias podem ser programadas ou uma aventura, uma viagem longa ou curta o importante é que por uns dias você se desligue completamente de sua rotina. Mas se desligue também de alguns padrões que fazem parte de sua personalidade. Se você tem o hábito de liderar, deixe que os outros liderem e evite ficar tomando a frente das decisões. Se você é do tipo que faz muitas coisas ao mesmo tempo, procure fazer uma coisa de cada vez e bem lentamente, não tenha pressa. Agora o mais importante é que aproveite suas férias, pois você sabe que após o tempo de descanso existe uma rotina de trabalho te esperando para começar tudo outra vez.
Então BOAS FÉRIAS.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

SEXO!! EU QUERO SEXO!!




José Fabiano Ferraz – Psicólogo – 39136519


Vivemos num oceano de sexualidade, dentro e principalmente fora do corpo. As pessoas organizam suas vidas, tendo como base a sua sexualidade. Mas gostaria de considerar apenas o aspecto do ENCONTRO, dentre os vários envolvidos nesta relação. A sexualidade acontece no encontro. Hoje as pessoas estão cada vez mais sexualizadas, com suas roupas, seus cabelos, suas formas e sexualizando cada vez mais os encontros. Existe uma fragrância de sensualidade na sociedade, que nos chama nos genitais, ao encontro com outra pessoa. Somos excitados por estímulos exteriores e independentes à nossa vontade, nos genitais, à vida e ao encontro. Um casal hoje quando resolve namorar, já passou pelo ficar. Isto considerando uma probabilidade estatística. Vamos entender este ficar com ou sem sexo? Se for com sexo, o casal passa para fase do namoro vivendo um acasalamento. Os desejos e excitações internas que vivemos em nosso corpo buscarão a satisfação e realização. O sexo, hoje vem primeiro no encontro e os encontros acontecem por causa do sexo. O que se chama de sexo sem amor. Dividi-se sexo com amor e sem amor. Ouço também a argumentação de que tem de saber se vai dar certo ou não, no sentido literal do dar. Quer dizer eu vou tendo experiências sexualizadas na vida, até que encontre alguém para amar. Sexo com amor significa que o sexo acontecerá como brinde ao amor. No ENCONTRO, as pessoas criam a relação possível no tempo e no espaço geométrico que ocupam. A sexualidade é um dos estímulos presentes. O amor é um sentimento aprendido, e com isso precisa de tempo, convivência e relação. Nós aprendemos a amar, e desenvolvemos este amor em cuidado, reconhecimento e cooperação. Quando duas pessoas estão intimamente ligadas em suas necessidades, o sexo como intimidade do ser acontece numa relação de profundo gozo, a paixão e o amor convivendo pacificamente no paraíso da sexualidade. Precisamos de uma maneira diferente de orientar o comportamento sexual na sociedade. Vivemos o problema das doenças sexualmente transmissíveis, o pesadelo da AIDS, por causa de desejos sexuais deslocados, tantos desastres à saúde no campo da sexualidade e continuamos excitando os desejos genitais. Não tenho nada contra o sexo, apenas acredito que precisamos aprender a ter relações que realizem o ser, em suas dimensões espirituais, mentais e emocionais. Precisamos pensar nas na família e na sua sobrevivência enquanto instituição social. Entendo por família uma organização humana capaz de reproduzir a si mesma a partir de suas constituições biológicas. Uma família se reproduz em outras pequenas famílias a partir da sua constituição genética. Homem e mulher geram um ser que juntamente com outro ser, gera outro ser... E assim a sociedade.
Mas voltemos ao ENCONTRO, e no que podemos fazer para ter uma relação de encontros que busquem o amor mais do que o sexo. Pessoas cansadas de sexo sem amor à procura de uma relação, conversar e conhecer o outro. Participar da vida, um do outro. Cultivar uma relação, cuidar desta relação e fazê-la crescer para o benefício dos dois. E quando voltarem de uma festa, não esteja dizendo quantas bocas beijaram, mas sim se conheceram alguém com quem irá se encontrar uma segunda vez, inebriado de expectativas pelo próximo ENCONTRO.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

FOBIA SOCIAL


José Fabiano Ferraz – Psicólogo - 12 - 39136519


Hoje em dia cresce o número de pessoas que sofrem de fobia social, embora não existam dados estatísticos que revelem a verdadeira situação da doença na população. A fobia social se caracteriza como uma intensa ansiedade em situações sociais, que requer da pessoa contato interpessoal, de desempenho ou ambos. A pessoa entra num estado de sofrimento excessivo, que interfere de forma significativa em seu cotidiano. Geralmente acaba por afetar alguma área, importante, da vida da pessoa de forma acentuada: no trabalho, nas relações sociais, atividades acadêmicas e até mesmo no lazer. A pessoa que sofre de fobia social tem medo da avaliação do outros, por isso evitam a exposição. Apresentam dificuldade em falar em público, comprometendo sua participação em reuniões, na apresentação de projetos, etc. Na vida social pode apresentar medo de comer, beber, escrever quando outras pessoas estão olhando e até mesmo usar banheiro público. Acontece também da pessoa temer iniciar e manter conversas mesmo informais e descontraídas. O sofrimento com a doença da fobia social vai se agravando, devido ao isolamento social que acontece. Evita sair e se expor, para atividades simples e cotidianas, existem um comprometimento no seu trabalho e na sua vida social.
Quem sofre de fobia social, sente o mal estar constante e o desconforto na presença de outras pessoas. Sente-se inapropriado e inadequado nas situações, e vive um conflito interno, pois a pessoa sabe que seu medo é exagerado ou irracional. A situação torna-se mais constrangedora quando aparece o rubor facial, tremor e sudorese. O medo de parecer ridículo ou tolo, ser o centro das atenções, de cometer erros e de não corresponder à expectativa das pessoas. É comum que a pessoa sinta-se alvo de comentários ou gozação por parte de outras pessoas.
Precisamos entender que a fobia social é um transtorno de ansiedade, uma doença psicológica que precisa de tratamento. Algumas pessoas acham-se tímidas e envergonhadas, aceitam esta situação como um traço de personalidade. Acabam por prejudicar sua vida, perdendo oportunidades importantes no campo profissional, sofrendo principalmente em sua vida afetiva e amorosa um isolamento. A pessoa precisa ter consciência de que existe tratamento para a fobia social. Medo e ansiedade são reações normais diante do perigo, real ou imaginário e não é por si só problema psíquico. Quando medo e ansiedade são mais constantes e persistentes do que seria razoável e impedem a vida normal, aí sim existe um transtorno de ansiedade. As fobias são o medo excessivo, desvinculado de uma ameaça real, de estímulos ou situações específicas.
O tratamento da fobia social envolve um primeiro passo onde a pessoa, aprenderá a reconhecer como a fobia se organiza em sua vida principalmente em seus processos corporais, aprender a olhar a si mesma na situação de exposição social. A expressão emocional do medo, o corpo paralisado, a respiração curta, o coração acelerado. Neste primeiro passo a pessoa aprenderá a ter consciência do medo no seu corpo. Seguimos para um segundo passo onde irá observar de maneira ativa, o processo de “como” o medo se organiza anatomicamente no corpo. Não se trata de buscar as causas, ou explicações do medo, mas contato com as reações corporais, com a experiência do medo no corpo. Nesse estágio do tratamento a pessoa percebe que não é possuída por “algo” que vem de fora, que suas reações corporais são organizadas por ela. Passamos para o terceiro passo, no qual a pessoa aprende a desestruturar o padrão do medo no corpo. Desorganizar os rituais, as formas habituais e involuntárias de expressão, principalmente corporal. Neste passo aprenderá o exercício da sanfona, que irá permitir que desorganize o padrão corporal da forma do medo. É comum nesta fase o medo de perder o controle, o senso de identidade, pois a pessoa está abandonando um padrão que a acompanha por vários anos.
Naturalmente no decorrer do processo, a pessoa terá cada vez mais consciência de “como” seu corpo reage ao encontro com as pessoas, estará cada vez mais apropriada de seus processos corporais. Com isso poderá, de forma criativa, utilizar o que aprendeu para organizar novos padrões. É preciso praticar, praticar muitas vezes os passos, pois é com o conhecimento do que acontece comigo, estando apropriado de minhas reações emocionais no corpo que aprenderei a estabelecer novas conexões em minha vida.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

EU DIGO NÃO?




José Fabiano Ferraz - Psicólogo - 12 - 39136519
Para algumas pessoas dizer “não” é uma tarefa, difícil e angustiante. Sofrem e muitas vezes sentem-se usadas, mas não conseguem fazer nada a respeito, assistem passivamente o desrespeito à sua vontade. Dizer “não” é a expressão de um protesto, como pode ao mesmo tempo ser uma auto-afirmação. Quando criança aprendemos inicialmente a dizer “não” com o corpo, enrijecemos e nos apertamos assumimos uma postura, um padrão de expressão que pode ser o choro, o grito e a teimosia.
Mas por que no decorrer de nossas vidas, para algumas pessoas, dizer “não” se torna algo difícil e angustiante? Muita gente tem problema em dizer “não”, em fazer valer sua posição. E quando dizem “não”, o fazem de uma maneira tão rígida e dura que depois se sente culpada e incapaz de restabelecer a relação do “sim”. Isto acontece porque dizer “não” gera naturalmente, a dor e o risco da distância, traz a incerteza e o aberto de uma relação que se desorganiza, por uns momentos, para reconstruir formas de respeito à individualidade e ao espaço de cada pessoa. Dizer “não” é uma disponibilidade para correr o risco da separação e da solidão. Se você não disser “não”, dificilmente aprenderá a se afirmar, se você não exercer a habilidade de formar e mantiver limites, poderá viver repetidas vezes o papel de vítima. Sentirá que as pessoas abusam de você, que usam você e terá a sensação de que não é reconhecida nem valorizada. Pessoas com dificuldade em dizer “não”, podem sentir-se invadidas, rejeitadas e com muita restrição em ser elas mesmas.
O que é pior nisso tudo é o preço que se paga. Algumas pessoas dizem “não” com o corpo, de forma involuntária, mas não conseguem criar uma forma de expressão que ganhe o mundo. Aparecem as dores pelo corpo, principalmente nas regiões lombar e dos ombros, que denunciam a insatisfação com a vida que estamos levando e o peso que estamos carregando. Outras pessoas dizem “não” com sua irritação, sua impaciência e isolamento, mas não aprendem a lutar nem fugir das situações que lhe desagradam ou agridem. Dizer “não” é uma forma de se proteger e se não aprendemos a fazer isso, sabe o que acontece? Não vamos aprender a lidar com a excitação, que acompanha a autonomia e independência. É isso mesmo, organizar formas autônomas e independentes, despertam, necessariamente, processos excitatórios em nosso corpo que abrem espaço para o novo.
Pessoas com dificuldade em dizer “não”, precisam aprender a confiar, se soltar e descontrair. Podemos aprender a ser diferente, é uma questão de correr o risco da experiência. Pode ser que nas primeiras tentativas de dizer “não”, nossa voz esteja insegura e quase não saia, pode ser que digamos “não” e logo em seguida, inundados de um sentimento de culpa e insegurança troquemos o “não” pelo “sim”. Dizer “não” primeiro cria uma distância, um afastamento devido ao limite que foi colocado; mas também permite a reorganização de uma nova ação, um novo você restabelecendo uma relação e uma expressão que permita o “sim”. Uma forma não precisa, nem deve ser congelada e cristalizada. Da mesma maneira que dizer “sim” sempre é um problema, o mesmo vale para o dizer “não” sempre. A pessoa adota uma postura rígida de “sim” ou de “não” que não condiz com a necessidade do processo de viver, que requer um conjunto temporário de decisões pessoais, que podem ser modificadas de acordo com as circunstâncias.
O processo de viver requer que você aprenda a estabelecer limites, depois suavize estes limites e aprenda a negociá-los. Requer também que você aprenda reformar seu comportamento, atualizar suas formas de expressão emocional. O processo de viver possui uma lei universal de expansão e contração. O que isto quer dizer? Que nos expandimos em direção ao mundo e às pessoas, que buscamos a relação e o contato, mas que também nos contraímos, voltamos para nós mesmos e estabelecemos limites de proteção à vida.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

DIA DOS NAMORADOS, SEM NAMORADO.



José Fabiano Ferraz – Psicólogo – 12 - 39136519

Quantos de nós já não passou por essa situação? Desconfortável e desagradável a angústia que acompanha. Vamos entender essa construção, esse modo meio fantasma que interfere diretamente em nosso humor, podendo nos deixar deprimidos ou ansiosos e eufóricos. Interessante como reproduzimos significados subjetivos com uma corporalidade real e concreta. Por que dói algo que não existe? Interessante como a imagem de um ícone, nos afeta nas pulsações, ficamos ou mais agitados, ou menos agitados, dependendo de nosso entendimento dos acontecimentos. Como podemos ficar angustiados por algo que não existe? Se o namorado não existe, significa que esta data não faz parte do meu calendário comemorativo. Pode ser uma decisão definitiva, ou emergencial. Quando estiver com namorado esta data passa a fazer parte do calendário comemorativo. Pensando racionalmente está perfeita, a solução adequada para problema. Cria-se um significado pessoal e adaptativo sem constrangimentos. O problema é que o afeto é pessoal e intransferível, eu sinto do meu modo, com os meus significados e isto acontece no meu corpo, alterando a pulsação para mais ou para menos. O dia dos namorados, sem namorado é vivido em cada célula com uma pitada de angústia. O que posso fazer? Lidar com essa angústia? Sentir-me ridículo por estar afetivamente abalado por um significado construído no imaginário social? Realmente estas datas comemorativas trazem as duas faces da moeda: dia das mães, dia dos pais, dia das crianças são datas que geram sentimentos ambíguos para pessoas que perderam o motivo de comemorar.
A vida é um processo de aprendizado, se não fosse assim não teríamos chegado a este avanço tecnológico fantástico. Estamos sempre aprendendo, construindo formas para dar conta das situações. O que podemos fazer é aprender a lidar com a angústia. De certo modo, embora possa parecer estranho, precisamos aprender a sentir a tristeza que acompanha estas datas, àqueles que perderam o motivo de comemorarem. Hoje em dia parece que existe uma obrigação de ser feliz, temos que estar sempre rindo e comemorando. Com isso não aprendemos a construir formas, sejam no próprio corpo, sejam nas relações pessoais de viver a tristeza e a angústia. O resultado é o colapso, a pessoa vai segurando, vai segurando até que o corpo entra em colapso e cai diante da depressão ou da ansiedade podendo gerar, dentre outros sintomas, comportamentos compulsivos de comprar, nas mulheres principalmente, como recurso de lidar com o stress.
Mas é possível lidar com a angústia no corpo? Evidente que sim. Preste atenção na sua pulsação. Primeiro identifique a velocidade. Você ficou acelerado? Ou pelo contrário sente-se sem energia e desanimado? Em ambos os casos o próprio corpo produz substâncias químicas que podem nos acelerar ou desacelerar. A ansiedade, no caso da aceleração, pode nos deixar mais vorazes e fazemos as coisas em exagero, comemos demais, bebemos demais, falamos demais, etc. A desaceleração nos deixa desanimada e sem energia, perdemos o interesse pelas coisas e nos entregamos ao momento depressivo que estamos vivendo. É preciso aprender a influir no ritmo e na velocidade do próprio corpo, a respiração é fundamental para isso. Preste atenção em sua respiração se tiver acelerada e curta, procure alongá-la respirando no abdômen. Caminhar ajuda a gastar a energia produzida pelo corpo para lidar com o stress da situação. Principalmente quando se é mais jovem, prevenção e resistência são a chave para mais anos de qualidade de vida. Passar o dia dos namorados sem namorado, desperta um sentimento natural em todos nós, o desejo de ser amado e a falta desse amor. É importante agenciar emocionalmente e socialmente a viagem por este sentimento. Esta semana tive a oportunidade de ouvir algumas moças na faixa de seus vinte e poucos anos, conversando sobre como iriam passar o dia dos namorados sem namorado. Falavam do peso que gera no corpo, pois tudo: televisão, rádio, outdoor vem acompanhado de coraçãozinho, presentes para ele ou para ela. Por mais que queiram esquecer não dá. Todos passamos por isso, pois somos seres afetáveis e nos afetamos com o ambiente. Ainda mais com o bombardeio de propagandas e incentivos ao consumo no dia dos namorados. É preciso ter consciência de que não estamos sozinhos, pois quando passamos por um sentimento desagradável, achamos que somos somente nós no mundo é que estamos vivendo esta situação.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A GREVE DOS MOTORISTAS DE ÔNIBUS


José Fabiano Ferraz – Psicólogo – (12) 39136519 -



Acordamos e iniciamos a rotina diária. Minha esposa toma o seu café da manhã e vai para o trabalho, eu tomo meu banho, faço a barba e aguardo a senhora que fica com minha filha de seis anos até a hora do almoço. Assistindo o jornal da vanguarda, vejo a notícia da greve dos motoristas de ônibus em São José dos Campos. Na mesma hora ligo para nossa colaboradora e vejo que sua situação não é diferente das inúmeras pessoas que moram em bairro afastado e dependem de ônibus. Neste momento dispara o alarme, tenho uma agenda com compromissos, atendimentos, reuniões e como fazer com minha filha de seis anos até a hora do almoço. É uma reação típica de stress que vivenciamos com o atravessamento de questões independentes à nossa vontade. Uma agitação interna se estabelece no corpo, uma impaciência e irritação surgem naturalmente, conseqüência do transtorno da mudança da rotina diária.

O que podemos fazer quando surgem imprevistos que alteram nossos padrões, nossos hábitos? Temos um aparelho cerebral preparado para estas situações de emergência, temos um processo psíquico que nos permite ser criativos e inovadores, capazes de organizar soluções originais e adaptação aos nossos problemas cotidianos. Podemos, frente à situação de stress, construir atitudes adequadas para enfrentar o problema. Precisamos desorganizar a forma de alarme que se estabelece em nosso corpo, alterando nosso ritmo interno, nossa respiração e deixando-nos acelerados. A primeira atitude a tomar é muito simples, mas ao mesmo tempo difícil, reorganizar a respiração. Pois é neste momento em que o cérebro está disparando funções de defesa, acelerando e aumentando a pressão, enrijecendo e potencializando o corpo para ação, que temos dificuldade em nos concentrar na respiração. Veja bem, o corpo é preparado, em momentos de stress, para lutar ou para fugir. Porém nossa atitude deve envolver planejamento e estratégia, pois nossos problemas urbanos não podem ser resolvidos com a potência muscular. A sensação de irritação e impaciência que sentimos, como se algo tivesse tomado conta de nosso corpo, na verdade somos nós mesmos que produzimos. Por isso concentro na respiração, respiro no abdômen, de forma suave sem hiper ventilar, também presto atenção em minhas pernas e deixo o peso do corpo vir para os pés, gerando sustentação em meu corpo frente ao problema que tenho que resolver. É comum em momentos de stress a musculatura ficar rígida e pronta para o ataque, o corpo puxa para cima por isso a tensão nos ombros e no tórax, aprender a deixar o peso do corpo vir para as pernas é uma forma de desorganizar essa prontidão para o ataque.

Com o corpo desarmado do alarme posso pensar com tranqüilidade, converso com a minha filha e explico o que está acontecendo, ligo para minha esposa para organizarmos uma estratégia contingencial e lidar com a situação. A greve dos motoristas de ônibus segue, por mais um dia, mas agora já estamos preparados para enfrentá-la. É assim em nosso cotidiano, problemas surgem independentes de nossa vontade e fazem parte da dinâmica de nossa vida urbana. É preciso aprender a lidar com o stress, de forma eficaz nas suas dimensões: emocional - no caso da greve a irritação e impaciência que geraram em mim-, na dimensão de vínculos e relações interpessoais - ficar nervoso e mal humorado, principalmente com minha filha e minha esposa -, e nos aspectos políticos – compreender que existe uma ordem política, sindicato, governo, capital versus trabalho da qual faço parte, direta ou indiretamente -.

terça-feira, 27 de maio de 2008

O ESTRESSE NOSSO DE CADA DIA


Podemos entender que o desafio deste século, ou dessa década está em aprender a administrar o “Estresse Nosso de Cada Dia”, e aproveitar o máximo a energia e as conseqüências positivas do estresse. São vários os fatores e agentes, externos e internos de estresse em nosso dia a dia: aglomeração, ruído, poluição, mudança constante no estilo de vida, alterações significativas nos papéis sociais e aumento da responsabilidade por tomada de decisões; como também a crescente exigência no mundo moderno, de cada vez mais as pessoas aprenderem a lidar com as emoções e sentimentos.
O estresse é um reflexo de defesa, de adaptação a situações estranhas, vivenciado no corpo como uma alteração fisiológica. É um mecanismo que dispara automaticamente, preparando o corpo para o ataque ou a fuga. Podemos entender o reflexo do estresse como uma excitação energética, química, onde fluxos de energia percorrem o corpo. Nossos estados emocionais representam diferentes formas de excitação, com intensidades que podem variar da rigidez ao colapso no corpo.
O modo como deixamos que a excitação se expanda e cresça, ou como abafamos e controlamos revela nossa forma de administrar o estresse nosso de cada dia. Se nos endurecemos e nos petrificamos para evitar que a excitação ultrapasse nossos limites; estamos evitando o mundo e as pessoas, estamos organizando um corpo com contrações e contenções musculares. De outro modo se deixamos a excitação vazar sem limites, sem controle, explodimos impulsivamente, alternamos estados emocionais de euforia e depressão; as pessoas com limites fracos para excitação, sucumbem, desmoronam emocionalmente.
O que as pessoas precisam é aprender a construir limites adequados para as emoções, para os estados de excitação. Administrar o estresse organizando os sentimentos através da regulação interna. Para isso é necessário aprender a criar um diálogo entre as formas corporais que se organizam da rigidez ao colapso, da euforia a depressão. Esse diálogo deve acontecer no cotidiano, na rotina do dia a dia, no trabalho, no trânsito, na família, na vida vivida. Não dá para pedir que a vida para por um instante, para que a pessoa possa meditar e depois quando estiver “Zen” resolver o problema. As pessoas precisam de uma ferramenta capaz de ajudá-las a administrar o estresse em tempo real, no momento que ele ocorre, nem antes, nem depois. Não estou, com isso, desconsiderando as práticas de exercícios físicos, meditação e tantas outras técnicas de relaxamento etc. que são muito importantes, para manutenção de uma vida com qualidade. O que estou propondo é um aumento da consciência do próprio corpo, das reações fisiológicas diante dos obstáculos e dificuldades diárias, para aprender a regular os estados corporais em relação a expansão ou contenção da excitação, no momento em que o corpo aciona o reflexo do estresse. Estou falando em regular e não em inibir, conter ou reprimir, regular e deixar a excitação circular para mais ou para menos, de acordo com a situação.
Vamos ver como isso é possível. As situações do nosso cotidiano organizam um campo de excitação, essa é a experiência básica da vida no corpo, um contínuo de correntes excitatórias. Se você prestar atenção sentirá que esse campo excitatório altera, basicamente, a respiração e a musculatura. É preciso estar consciente de sua respiração, para que você possa reorganizá-la. O mesmo se dá com a musculatura, é preciso estar consciente de sua musculatura, para que você possa reorganizá-la. Essa reorganização irá possibilitar a regulação da excitação do estresse. Vamos ver como é a organização do corpo no estresse, como o corpo se organiza para atacar ou fugir.
Todas essas reações que vou descrever ocorrem ao mesmo tempo, de forma inespecífica e são disparadas automaticamente, a partir da avaliação de algo ameaçador ou estranho. Portanto não se trata de eliminar as reações, ou não sentir, mas sim de aprender a manejar , a regular as reações corporais. No reflexo do estresse o peito sobe e paralisa na inspiração, os intestinos se contraem, os sentidos se concentram no objeto e a estrutura do corpo como um todo se retesa. O corpo puxa para cima, para longe da pélvis e do chão, injetando força no peito e na cabeça. Os braços e pernas se contraem para empurrar, bater, ficar parado ou agarrar. O estresse envolve as seguintes alterações:
a) Mudança na musculatura;
b) Mudança no formato do diafragma;
c) Mudança na relação do corpo com a linha gravitacional da terra;
d) Alteração de sentimentos, emoções e pensamentos.
A seqüência do reflexo do susto obedece ao seguinte padrão: um pequeno grau de enrijecimento – “CUIDADO”- um aumento da organização rígida – “PRESTE ATENÇÃO” – o espasmo total –“VÁ EMBORA“-.
Essas formas corporais, com o tempo, convertem-se pela força do hábito e da associação em ações reflexas e são executadas involuntariamente, mesmo quando não tem a menor utilidade. O que acontece com a respiração? A respiração é, quase que, interrompida ou respira-se silenciosamente de maneira curta e superficial.
A consciência corporal é um processo, possui etapas, e precisa ser executado continuamente para que se torne um hábito. Quanto mais você aprender a direcionar a atenção para seu corpo, e não para fora, mais você terá condições de manejar a si mesmo. A seguir vou apresentar sugestões de como, com a prática, você pode aumentar a sua consciência corporal.
PASSO I: Esteja atento a você mesmo na situação presente. Pergunte-se: “o que” estou fazendo com o meu corpo? O que estou fazendo com o meu peito? Com meu abdômen? Com meus braços e pernas? Responder a essas perguntas, lhe dará possibilidade de forma uma imagem de você na situação presente.
PASSO II: Aproveitando a imagem do passo anterior pergunte-se: Como estou fazendo? Como estou pressionando o peito? O abdômen? Como faço para enrijecer os ombros, as costas? Como estou fazendo para inibir a respiração? Você irá descobrir como esta organizando o reflexo do susto. Como esta usando seu corpo para emergência, para o alarme.
PASSO III: O passo I e II darão o mapa do seu padrão de resposta ao estresse. O que você faz e como faz, com seu corpo em situações de estresse. No passo III você irá intensificar o padrão, fazer mais o que você descobriu que esta fazendo. Intensificar o padrão de tensão, peito apertado, abdômen contraído, respiração curta, leve isso ao extremo e então comece a voltar, a afrouxar, relaxar, pouco a pouco, desfazer, desorganizar a rigidez da forma do estresse. Contrair mais, mais, ainda mais, depois soltar um pouco, um pouco mais, ainda mais. Com isso você esta criando um diálogo interno com seu corpo, formas executadas involuntariamente podem ser percebidas e repetidas voluntariamente, você esta criando possibilidades de manejo.
PASSO IV: É o momento pausa, do silêncio interior, onde o diálogo criado a partir do passo III vai acontecer. Nesse estágio podem emergir lembranças, sensações, você pode sentir-se diferente. O passo IV é onde estamos percebendo um modo diferente em nós, uma forma diferente do padrão, mas que não está pronta, que não está acabada.
PASSO V: É o passo da escolha, onde o padrão esta se desintegrando mas ainda não temos um novo padrão estabelecido. É o passo da prática e da experimentação, dos meus músculos, de minha respiração, lembro-me de relaxar o peito, o abdômen, respirar profunda e pausadamente. É o passo da escolha entre o que acabo de aprender, e o padrão conhecido e estabelecido pela força do hábito, por isso mesmo mais seguro e estável. Posso ficar esperando que algo mágico aconteça, posso ficar apenas em um dos passos anteriores, ou posso arriscar formas novas, de acordo com as exigências do momento e do ambiente. O passo V é o passo da prática, onde devo praticar muitas vezes os passos anteriores, para formar uma nova resposta.
A consciência corporal é um processo de educação, onde o que se aprende é dialogar com o próprio corpo, experenciar as intensidades e excitações e principalmente, desorganizar e reorganizar as formas corporais do estresse. É o requisito para uma vida saudável e vibrante para você e as pessoas que circulam em seu universo pessoal. É uma metodologia para ser utilizada no dia a dia, podendo fazer parte das situações cotidianas, uma maneira pragmática de administrar “O ESTRESSE NOSSO DE CADA DIA”.