terça-feira, 11 de novembro de 2008

A ESPERANÇA ESTÁ FORA DE MODA?





José Fabiano Ferraz - 12 - 39136519


Certa vez ministrando uma palestra, sobre a esperança no trabalho, uma pessoa disse-me, hoje a esperança esta tão fora de moda. Trabalho em consultoria de desenvolvimento humano nas empresas e buscamos, em nossos treinamentos, o aperfeiçoamento e a evolução contínua da pessoa como profissional e cidadão, responsável por sua qualidade de vida e de seu ambiente. Comecei a fazer um estudo dos aspectos que podem ser considerados positivos no ambiente de trabalho, e que ajudam na promoção da saúde. Foi sem grande esforço que pude observar a subjetividade como fator determinante, no estado de esperança, da pessoa ao interpretar as situações de seu dia a dia. Vamos parar agora, por um momento, e verificar se no seu ambiente de trabalho existe otimismo, autoconfiança e envolvimento nas situações, fazendo com que a resposta aos conflitos e problemas do dia a dia seja positiva. Do mesmo modo faça uma reflexão e veja se a raiva, a hostilidade, frustração e pessimismo, que também são estados subjetivos e de igual maneira afetam os estados de esperança, estão presentes no modo de interpretar as situações.
Existem vários estudos que apresentam a esperança como fator positivo no enfrentamento do stress e das situações do dia a dia nas organizações. Estes estudos definem esperança como “um conjunto cognitivo baseado na sensação de êxito na determinação e planejamento de objetivos”. Vamos ver alguns exemplos do que estamos falando: Se você se encontrar em um beco sem saída, pensar em muitas saídas; Buscar seus objetivos de forma enérgica; Entender que há muitas formas de contornar qualquer problema que esteja enfrentando agora; Se considerar bem sucedido; Pensar em várias maneiras de atingir seus atuais objetivos. Estes são estados de esperança que podem e devem ser desenvolvidos nos indivíduos. Alguns estudos constatam: “líderes esperançosos possuem unidades de trabalho mais lucrativas e melhores índices de satisfação e de estabilidade dos liderados, do que os líderes com níveis baixos de esperança”.
Pesquisas realizadas com enfermeiros, professores, universitários e pastores, verificaram que as pessoas que se mantêm ativamente envolvidas em seu trabalho, com alto grau de esperança, enfrentam as dificuldades inerentes ao trabalho numa relação significativa de bem estar e qualidade de vida. Constataram que a esperança propicia um estado subjetivo, da convicção de que se tem a força e capacidade para atingir seus próprios objetivos no trabalho. Os resultados apresentaram uma tendência a associar atividades de liderança com o desenvolvimento de esperança nas pessoas lideradas. Os pesquisadores concluíram que os líderes podem utilizar de intervenções para melhorar a esperança dos indivíduos de seu grupo, e que essas intervenções podem melhorar a saúde, e conseqüentemente o desempenho de sua equipe.
A partir da definição de esperança, da escala de estados de esperança, e das conclusões dessas pesquisas, chega-se a conclusão que os líderes podem:
a) ajudar as pessoas de seu grupo a buscar seus objetivos com entusiasmo;
b) ajudar a encontrar soluções para os obstáculos ao atendimento dos objetivos;
c) negociar estes objetivos e não impô-los autoritariamente;
d) oferecer os recursos necessários para consecução dos objetivos, realização das tarefas e solução de problemas.
e) informar o papel da pessoa dentro do contexto produtivo, das possíveis mudanças nas prioridades da organização, como também potenciais mudanças nos recursos disponíveis.
f) gerenciar o processo de negociação desse papel, e a adoção da tomada de decisão participativa.
Um ambiente onde a prática do diálogo, da transparência e da relação de confiança é reconhecida como fator importante, estará promovendo estados de esperança. Conseqüentemente isto refletirá um ambiente sadio, agradável e harmonioso. Pensando bem a esperança não esta fora de moda, vejo a importância de falarmos sobre isso não só nas empresas, instituições de ensino e organizações sociais, mas principalmente nas famílias. Faça uma reflexão e veja se o que esta coluna traz pode ser aplicado em seu lar, seu trabalho e sua rede social.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A ESSÊNCIA DA SAÚDE HUMANA.




José Fabiano Ferraz - Psicólogo - 12 - 39136519



Quando falamos de saúde, nos dias de hoje, logo nos vêem a idéia de qualidade de vida. Devemos pensar qualidade de vida como um conceito ou um estilo de vida? Como conceito corre-se o risco de entrar no terreno da idealização, algo que entendemos, teoricamente, mas não conseguimos aplicar em nossa vida. O que muitas vezes ouço é: “a teoria é uma coisa, mas na prática é outra”. A teoria é uma leitura da prática, quando teoria e prática não coincidem podemos entender que: ou a teoria esta equivocada em sua leitura, ou não conseguimos praticar os conceitos da teoria. A fragmentação entre teoria e prática é um artifício, utilizado para justificar nossa dificuldade em aplicá-la. Qualidade de vida é um conceito sobre um estilo de vida, que apresenta a saúde humana como um processo ligado a existência de cada pessoa.
A enfermidade foi determinada ontologicamente como uma privação da saúde. Neste caso o conceito predominante é o de doença, no qual saúde é ausência de estados negativos e não a presença de estados positivos. Desse modo a doença é vista como uma fatalidade, um infortúnio do destino, uma herança ou até mesmo um carma. Com o desenvolvimento do conceito de qualidade de vida, a enfermidade deixou de ser entendida, simplesmente, como ausência de saúde e passou a ser um modo de existir em que a saúde falta, não está presente no cotidiano da vida de cada pessoa. A pessoa doente, no conceito de qualidade de vida, tem necessidade de saúde, ou seja, carece de saúde. O estar bem, estar saudável, neste modo de ver, não está simplesmente ausente, mas esta perturbada. Isso modifica o entendimento, tanto do conceito de doença como o de saúde. Tira a idéia da doença como fatalidade, e coloca a responsabilidade pela construção de uma vida saudável nas mãos da pessoa. Quando trabalhamos com o conceito de qualidade de vida, entendemos que a manifestação de uma doença são ocorrências que se mostram no organismo, e que, ao se mostrarem são indícios de um disfuncionamento do processo de viver. O aparecimento destas ocorrências revela uma privação da potencialidade da pessoa, a expressão de seu potencial encontra-se velada em sua própria existência. Portanto ao se trabalhar com qualidade de vida, entendemos que a manifestação de uma doença é, na verdade, o indício de algo que não se mostra. O distúrbio, as perturbações do organismo é a forma de anunciar algo que não esta aparente. Embora não seja aparente está presente, existe objetivamente na realidade da pessoa. A manifestação de uma doença deve ser entendida como um processo, que possui uma história, construída no modo de existência da própria pessoa. Aprendido através de associações emocionais e máximas racionais. É quando engolimos o choro, sufocamos a tristeza, impedimos o desejo, sacrificamos o prazer, por razões sociais, culturais e dogmáticas.
Não produzimos qualidade de vida por decreto, normas, regimentos ou qualquer coisa desta natureza, como muitas empresas buscam, de forma bem intencionadas, fazer. Não construímos qualidade de vida a partir da modificação pura e simples do ambiente a nossa volta. Vejo caso de algumas organizações que modificaram seu layout, investiram no ambiente deixando-o mais arejado, limpo. São medidas importantes para reduzir o desconforto e insatisfação, mas que não garantem a mudança pessoal necessária para uma vida com qualidade. Existem pessoas que mudam para o litoral, ou para serra, quando assim podem fazê-lo, na esperança de obterem mais qualidade de vida. Uma medida importante, mas que se não estiver acompanhada de mudança em seu modo de viver não garante, por si só, a qualidade de vida. É preciso apropriar-se de si mesmo, de sua existência, seus padrões de comportamento, principalmente daquilo que não se mostra na aparência, mas que está presente no sentido do que fazemos. Portanto é importante, se apropriar sempre do sentido de nossas atitudes, nosso comportamento, nossos gestos, da forma que nosso corpo se organiza nos encontros com a vida. É a qualidade de minha presença, que constrói a qualidade de minha saúde na vida. Por isso é importante observar a si mesmo, com um refinamento cada vez mais sofisticado, para vivenciarmos o momento. Ansiedade é o medo do que esta por vir, é o medo sem razão no aqui e agora, angústia é o sofrimento pelo que aconteceu ou deixou de acontecer num tempo que já passou. O presente é o meu possível, é onde posso ser e fazer as coisas em minha vida e, a qualidade da minha presença no meu presente revela a essência de minha saúde.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

OS PADRÕES DE COMPORTAMENTO E SUAS CARACTERÍSTICAS.







José Fabiano Ferraz - Psicólogo - 12 - 39136519.

As pessoas organizam padrões de comportamento desde a infância. Precisam dos padrões para sua sobrevivência. Os padrões de comportamento são os hábitos, desenvolvidos ao longo dos anos de existência, principalmente, para lidar com o stress e as agressões ocorridas na trajetória de vida. As pessoas se referem ao seu padrão ao dizer: “sou assim mesmo esse é o meu jeitão”. Existem, basicamente, duas maneiras de lidar com as agressões que geram stress: ou resistir se tornar sólido e enrijecer, ou ceder e amolecer, tornar-se poroso. A partir desses dois movimentos básicos o padrão é fixado num ponto, que tenha dado certo para enfrentar a agressão e o stress. O problema é que com o passar dos anos este padrão fixado perde sua validade. Novos padrões precisam ser aprendidos e desenvolvidos. São neles que estão às qualidades, as características pessoais e profissionais. Identificar o padrão é importante por dois motivos: primeiro você ter consciência dos seus pontos fortes e fracos, do que deve manter em seu comportamento e do que deve mudar. Em segundo lugar porque você pode formar outros padrões, com isso adquirir um repertório maior de formas para lidar com as situações. As situações na vida exigem, cada vez mais, flexibilidade e agilidade na tomada de decisão. As pessoas aprendem através da experiência e com isso precisam experimentar novos modelos, testar novos hábitos para construir formas adaptativas. Os padrões de comportamento fazem parte da educação, adquirida principalmente pelo pensamento emocional e também pelas regras e disciplinas sociais. É preciso reaprender e todos têm esta capacidade. Ao identificar o padrão de comportamento a pessoa tem possibilidade de reorganizar, reformar, gerenciar e planejar sua vida em harmonia. Desenvolve uma sensibilidade de olhar a si mesmo, no dia a dia, de se ver nas situações e sentir o padrão agindo de forma automática em seu comportamento. Com isso criar uma distância, se afastar da situação e observar como o padrão funciona. Desta maneira pode assumir a direção do próprio comportamento. Agora vou apresentar sucintamente os padrões de comportamento. Foram tirados do trabalho de Stanley Keleman em seu livro Anatomia Emocional.
PADRÃO RÍGIDO.
· Focado no desempenho. É dominador e controla pela assertividade. Entra em contato com os outros e consigo mesmo por meio da ação.
· Lida com o sentimento de solidão, fraqueza ou necessidade, endurecendo e retesando.
· Obediente a regras e normas. Valoriza a competição, o combate e a força.
· Assume uma postura agressiva diante da vida, em detrimento da suavidade e ternura.
· Valoriza o controle das emoções, não chorar, não expressar raiva ou medo.
· É prático e adequadamente adaptado as regras e normas.
· Teme o fracasso e não a luta, por isso muitas vezes tem dificuldade de identificar o bom combate.
· Nas relações de trabalho é conservador, controlador, hiperativo, desafiador e assertivo.
· Tem medo da rejeição, de ser dependente, de perder o controle e do ataque.

PADRÃO DENSO.
· Características de teimosia e insolência.
· Busca a segurança e a estabilidade, por isso vive o dilema entre resistir à dependência, ou precaver-se da independência total.
· Precavido e conservador, dedicado e obediente.
· Dificuldade de compartilhar os sentimentos por medo da humilhação e ridicularização.
· Necessidade de reconhecimento e aceitação.
· Desconfiado, possessivo e envergonhado.
· Nas relações de trabalho é inibido, precavido, dedicado e rebelde.
· Com líderes busca aprovação.
· Tem medo de atacar os outros, de se tornar adulto e independente.

PADRÃO POROSO.
· Dificuldade de comprometimento com as pessoas e com o mundo externo.
· Pode aceitar o que lhe é oferecido, mas não se esforça para obter.
· A inércia é sua forma de agressão.
· É suave, gentil e compreensivo. Consegue estar com a outra pessoa de forma empática.
· Possui a qualidade de bom ouvinte e é hábil na compreensão dos outros.
· Embora conquiste, tem dificuldade de sustentar suas conquistas.
· As relações sociais são uma forma de apoio.
· Explosivo e irritado e, ao mesmo tempo submisso.
· Gosta de privacidade e se não for desencorajado persegue uma meta com firmeza.
· Solidário, resignado e vitimizado.
· Nas relações de trabalho não é dominador, é receptivo e sabe formar alianças.
· Com líderes cede e busca apoio. Precisa ser conduzido.
· Possui medo de ser hostil e controlador, da impotência e de ficar isolado.

PADRÃO INFLADO.
· Sente-se especial em relação às demais pessoas. Quer ser o primeiro e solicita exclusividade.
· Manipula com afetividade.
· Tem uma necessidade de atenção especial.
· É invasivo e sedutor.
· Procura impressionar as pessoas e se torna inflamado e inflado.
· Embora seja infantil, nega sua infantilidade.
· Características narcísicas e expansivas. Tem fome de grandiosidade.
· Sociável e falante.
· Nas relações de trabalho é ambicioso, expansivo e busca atenção das pessoas.
· Tem medo de ser pequeno, de não pertencer e sentir-se vazio.Os padrões de comportamento refletem a história de vida, os vínculos e a maneira que a pessoa lidou com as situações. Quanto mais a pessoa aprende sobre os padrões de comportamento, mais ela adquire maturidade para organizar e planejar sua vida.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A ECONOMIA GLOBAL EM EXPLOSÃO.




José Fabiano Ferraz -Psicólogo -12 -39136519


As organizações não estão mais limitadas às fronteiras de seus países. A rede Mcdonalds vende seus hambúrgers em Moscou. A Toyota fabrica carros em Kentucky; a General Motors no Brasil; a Ford (dona de parte da Mazda) envia executivos de Detroit para o Japão, para ajudar os executivos da Mazda em suas operações. Estes são alguns poucos exemplos de que nosso mundo virou uma aldeia global. Diferentes culturas, hábitos e costumes unidos por interesses econômicos. Para nossa realidade, isto significa que cresce cada vez mais as oportunidades de ser enviado para missões internacionais. A pessoa pode ser transferida para uma unidade ou subsidiária de sua organização em outro país. Por outro lado mesmo ficando no Brasil, possivelmente você terá que trabalhar com líderes ou colegas de culturas, hábitos e costumes diferentes.
O cenário mundial do mundo do trabalho, hoje, entende que as pessoas são o bem mais valioso das empresas. A Intel, a Microsoft, a Motorola e a Hewlett-Packard são exemplos de empresas bem sucedidas que colocam as pessoas em primeiro lugar. Essas empresas perceberam que os concorrentes podem igualar a maioria dos seus produtos, processos, locações, canais de distribuição e outros aspectos. Mas o difícil é ter uma equipe de trabalho formada por pessoas altamente capacitadas e evoluídas. A característica que diferencia as empresas, bem sucedidas, na quase totalidade dos setores da economia é a qualidade das pessoas que elas são capazes de conseguir e manter. Os sistemas de remuneração atuam como estímulos de recompensa ao desempenho e a inovação.
No modelo atual das empresas, a qualidade é primordial. As pessoas devem se preocupar com a qualidade de uma maneira quase que obsessiva. Portanto, é importante definir para você mesmo a qualidade que pretende empregar em sua vida pessoal. Qualidade nos dias atuais, muito mais do que uma metodologia, é um estilo de vida. As pessoas estão sendo cada vez mais exigidas à autogestão. Para isso a pessoa precisa aprender a gerir a própria vida, desde o seu lazer, sua vida familiar, suas relações afetivas, pois todas estas situações de vida afetam as relações de trabalho e conseqüentemente o desempenho. Outro fator que envolve a qualidade, a princípio pode parecer que não tem nada a ver, é o julgamento moral e a tomada de decisão necessária neste mundo de mudanças rápidas. A ética tem ocupado um aspecto crucial no mercado de trabalho e na vida profissional. Vou destacar alguns aspectos pessoais importantes diante do cenário mundial:
A) ZELO: A qualidade do seu trabalho seja ele qual for. Desde que você tenha aceitado uma condição de trabalho. Pense no trabalho que você desenvolve, é importante o esforço, o cuidado e a disciplina em favor de um objetivo, que deve ser proposto por você mesmo.
B) HONESTIDADE: Como um modo de ser. Não somente parecer honesto, mas principalmente ser honesto. Com toda certeza sua honestidade, nas questões cotidianas, irá aumentar a qualidade na consecução de sua realização profissional.
C) COMPETÊNCIA: Refere-se ao conhecimento que você irá adquirir e acumular, sobre si mesmo, sobre seus objetivos, suas metas e o seu trabalho.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

DESENVOLVIMENTO HUMANO




José Fabiano Ferraz - Psicólogo -12 - 39136519.

Quando pensamos em desenvolvimento humano precisamos dar atenção à organização de nossa vida como um todo. Durante toda a vida, a pessoa pode se desenvolver, ou, pelo menos, tem a capacidade de assim fazer. Algumas pessoas que acreditam estar muito velhas para mudar, ou aprender novas coisas estão equivocados. O que acontece é que sistemas neurais pouco utilizados desaparecem ou são cooptados para outras finalidades. Não há limite para o número e a complexidade de conexões neurais que o cérebro pode formar. O cérebro humano possui uma capacidade ilimitada de criar redes neurais, a pessoa pode criar novas formas durante toda a sua vida.
Outro fator importante é que o pensamento não é um processo que envolve somente o raciocínio lógico e formal. Não é apenas o córtex o responsável por nosso pensamento. Mas as emoções, seu afeto no corpo, os estados de esperança, de sentido e os valores contribuem para consciência da pessoa no mundo, o desenvolvimento de sua capacidade e mobilização de seus talentos. Portanto pensamos com todo o corpo e precisamos deste corpo saudável e disposto para o desenvolvimento contínuo em nossa vida.
No início do século XX o QI tornou–se o centro das atenções dos estudiosos do comportamento humano. Psicólogos desenvolveram testes para medir, classificar as pessoas em graus de inteligência. Acreditava-se na época que os testes indicariam as habilidades, talentos de uma pessoa. As teorias psicológicas diziam que quanto mais alto o QI, mais a pessoa era inteligente e evoluída. Em meados da década de 1990 Daniel Goleman, através de pesquisas realizadas, por neurocientistas e psicólogos demonstrou que a inteligência emocional assumia importância destacada no desenvolvimento humano. O QE (Quociente Emocional) dá a percepção dos sentimentos de si mesmo e das outras pessoas. Prepara a pessoa para agir adequadamente às situações de empatia, compaixão, sentimentos de sofrimento e angústia. Conforme observou o próprio Goleman, a inteligência emocional constitui o requisito básico para a utilização efetiva do QI. A pessoa que não lida adequadamente com as emoções utilizam sua capacidade intelectual com menos eficiência. No final do século XX e início do século XXI, pesquisadores do comportamento humano, neurocientistas e o desenvolvimento da física quântica, mostraram que existe um terceiro tipo de inteligência humana, a inteligência espiritual (QS). Este tipo de pensamento refere-se a como a pessoa aborda e soluciona problemas de sentido e valor. A inteligência com a qual a pessoa pode colocar seus atos e atitudes em um contexto mais amplo e, avaliar que caminho na vida faz mais sentido que o outro. Howard Gardner em seu livro Inteligências Múltiplas argumenta que existem pelo menos sete tipos de inteligência: a musical, a espacial, a esportiva, além da racional e da emocional. Danah Zohar e Ian Marshall em seu livro Inteligência Espiritual defendem a tese de que, possivelmente nossas inteligências sejam infinitas e ligadas a três sistemas neurais do cérebro. Estes autores enfatizam que todos os tipos de inteligência que Gardner descreve, são, na verdade, variações do QI, QE e QS e de suas configurações neurais associadas. O ser humano em sua essência é impulsionado por um anseio de encontrar sentido e valor naquilo que faz e experimenta. É uma necessidade humana transcender sua própria existência através de sua obra, viver sua vida num contexto mais amplo que lhe dê sentido, seja a família, a comunidade, o clube de futebol, o trabalho, as convicções religiosas ou o universo em si. Portanto se você desconfia de seu talento e de sua capacidade, saiba que o desenvolvimento humano não possui fronteiras nem limites. O que precisamos ter claro é o fato do pensamento e o talento humano serem influenciados pelas experiências diárias, a saúde física e mental, dieta, volume de exercício físico praticados, tipos dos relacionamentos formados e outros fatores ligados a organização da vida cotidiana.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

QUE DROGA DE VIDA!


José Fabiano Ferraz -Psicólogo - 12 - 39136519
Só temos sucesso naquilo que fazemos com prazer. Uma atividade que combina com nossa essência, nós não sentimos como limitação, não sentimos como peso em nossa vida. Mas a atividade mais feliz, sem dúvida é aquela em que somos agentes da felicidade do outro. Por exemplo, dar é melhor do que receber, criar é melhor do que copiar, fabricar é melhor do que destruir. Nestas atividades nós podemos ser agentes da felicidade do outro, portanto fazemos com alegria e dedicação. Parece um pensamento demasiado altruístico para fazer parte de nossa realidade cotidiana. Você deve estar pensando, dessa maneira como vou pagar as contas no final do mês, a prestação do apartamento ou da casa, o financiamento do carro, etc. Então vivemos nossa vida fragmentados entre o que poderíamos ser, e o que conseguimos ser. A felicidade, o prazer e a realização tornam-se princípios secundários em nossa vida. Com isso nossa vida torna-se binária, ou isto ou aquilo, ou trabalho ou sou feliz, ou ganho dinheiro ou me realizo, ou sinto prazer ou sou responsável. Será que isto não tem sido a falência de nossa vida social? Principalmente dos jovens perdidos neste mundo binário? Eles observam que os pais trabalham a semana toda, ficam estressados, nervosos, irritados sem tempo para dar atenção e conversar com a família, e no final de semana buscam a felicidade na bebida, na euforia de um churrasco, por exemplo, na compra de mais um objeto de consumo. Não existe uma semelhança entre a vida cotidiana e a vida do final de semana. No domingo à noite o abatimento e a angustia lembra o início da semana dura, desgastante e pesada.
Que droga de vida! A maconha continua sendo a droga mais consumida no mundo. O álcool tem seu consumo elevado em 10% a cada ano. Os jovens começam a beber cada vez mais cedo. Pesquisas recentes revelam que a idade média de jovens que experimentam álcool é aos 13 anos, fumar cigarro aos 12 e fumar maconha aos 14 anos. Muitos jovens que usam drogas, mais pesadas, começam com o primeiro cigarrinho de maconha aos 10 anos de idade. O modo como a sociedade esta estruturada, hoje em dia, é à base do aumento do consumo de drogas entre os jovens. A maconha pode ser considerada uma droga inofensiva, mas não é, pois, ela conduz a dependência psicológica e a outras drogas mais pesadas. Este é o resultado de uma sociedade que entende a felicidade como momentos, o prazer como euforia e a realização como utopia.
Eu trabalho com dependência química, coordeno um grupo de apoio a dependentes químicos. Vejo este problema nas famílias, nas empresas, nas ruas e no mundo aumentando cada vez mais. A família precisa entender, o quanto antes, o que o seu filho será um dia já esta se formando, hoje, na relação com os pais. Na criança, no pré-adolescente já existe o adulto de amanhã em formação. As qualidades essências, aquelas que aprendemos a distinguir as coisas na vida são aprendidas, afetivamente, pelo modelo ainda quando criança. O acesso as drogas atualmente é bem mais fácil, as festas dos adolescentes são verdadeiras feiras de drogas. Recentemente alertei uma colega de minha filha, de dezessete anos, sobre um lugar que elas iriam e que existia muita droga. Ela me disse o seguinte: ”Mas o tio hoje tem droga em todo lugar que a gente vai”. Infelizmente, embora exista um exagero em sua afirmação, isto é uma verdade. Mas existe, ainda, locais onde a droga não faz parte do hábito dos jovens. É uma questão de escolha e também de orientação dos pais.
Mas o que fazer? Mudar esta é a alternativa. Investir com toda boa vontade em um processo de mudança em sua vida. A raiz dos problemas com as drogas esta na família, e a base dos problemas da família esta na estruturação social. Cuidar dos princípios que direcionam a vida dos pais, morais e éticos, a educação responsável e o cuidado com o vínculo afetivo. Entender que o prazer pode combinar com o trabalho, que a realização pessoal deve trazer recompensa financeira. Ter consciência que a semelhança se baseia no parentesco familiar, que o ser humano não é suficientemente autônomo para ter atitudes apropriadas em um ambiente que esta reforçando o seu oposto. E caso você já esteja vivendo o problema das drogas em sua casa, procurar ajuda o quanto antes. Não ter vergonha de expor a situação e pedir ajuda, pois com o tempo a situação pode piorar. Muitas vezes o familiar quer levar a pessoa que tem problema com drogas, mas ela não quer ir. Vá você procurar ajuda. Você irá aprender a lidar com o problema. Para quem se interessou todas as terças feiras às 19h30min no salão social da igreja Presbiteriana do Jardim Augusta, Rua Berna n° 174 existe um grupo de apoio a dependes químicos e familiares. A participação é inteiramente gratuita. O telefone para contato é 39416013. Caso você esteja passando por este problema, nós estaremos lá aguardando o momento em que você decidir pedir ajuda.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

LÍDERES SAUDÁVEIS




José Fabiano Ferraz
Psicólogo - 12 - 39136519

A capacidade de um pote de barro depende do vazio e do espaço que tem, e não tanto do material que contém. Trabalho com líderes, de diferentes formas. Em treinamentos, consultoria pessoal e psicoterapia. Muitas vezes escutei líderes que se sentem vazios. Trabalham e são eficientes em sua função, possuem prosperidade material, mas se sentem vazios. O vazio é uma sensação evidente de que a pessoa precisa se doar, precisa desenvolver o princípio natural da vida que é a lei da doação. Dar mais de si é se expandir, expressar o próprio processo criativo de viver. A liderança saudável aprende que a doação resulta de um estado de consciência em que o líder não espera reconhecimento, nem recompensa embora apareçam naturalmente. Hoje ouvimos com freqüência que as equipes precisam ser autogerenciadas. Equipes com esta característica aprendem a doar uns aos outros, a compartilhar o sucesso e o fracasso. Debashis Chartterjee, um pensador que trabalha com liderança diz o seguinte: “A liderança é a tarefa de orquestrar as oferendas especiais que cada membro traz da equipe à organização”. Com isso o líder constrói a unidade, a partir da diversidade dos dons e talentos da própria equipe. Cada membro da equipe evoluindo em um processo dinâmico, de equilíbrio entre a unidade e diversidade.
Algumas pessoas queixam-se do ambiente de trabalho ser hostil e contrário a uma vida saudável. O liderado queixa-se do líder que não é sensível aos seus problemas pessoais, do acúmulo de trabalho, da pressão para o cumprimento do cronograma, do aumento de responsabilidade e da falta de condições ideais. O líder, por sua vez, queixa-se da falta de comprometimento, da baixa iniciativa, do pequeno espírito empreendedor e também da falta de apoio para desenvolver sua função de liderança. Ambos, em lados distintos, falam das situações como algo que escapa ao seu controle, que acontece quase que independente de sua vontade. Quando estou diante destas queixas coloco o seguinte: “Você acredita que nós construímos o mundo em que vivemos e que essa organização, esta empresa, esta instituição de ensino, esta cooperativa ou instituição de saúde é construída por você? E que isto acontece numa dinâmica incessante de interação e participação? Algumas vezes eu escuto de ambos os lados: “Mas eu não participo disso não, eu fico na minha, não adianta ficar falando”. Então eu respondo: “Pois é isso mesmo, não participar é a sua forma de participação, é a sua forma de interagir com a sua realidade, sendo omisso e ausente”. Pode soar duro num primeiro momento, mas é preciso que ambos, líder e liderado, entendam que somos autores de nosso ambiente e de nossa vida. Mesmo que não percebamos, nós ajudamos a construir a nossa empresa, nossa instituição, nosso município, etc. E somos influenciados, afetados e modificados pelo mundo que construímos. É importante que você descubra o quanto antes, que a vida é um processo de conhecimento construído a partir da interação com a própria vida. Aprendemos vivendo e vivemos aprendendo.
O líder tem um impacto direto sobre o ambiente de trabalho, no bem estar e no clima emocional da equipe. O que revela uma liderança saudável é a capacidade de lidar com as emoções e com o stress do dia a dia. Um ambiente emocionalmente saudável é fonte de bem estar para si mesmo, para os outros e para organização. O líder que possui competência emocional tem um papel chave na prevenção do stress. Por sua vez o líder que aprende gerenciar o stress é um agente multiplicador de saúde dentro da organização. São líderes capazes de identificar e comunicar a missão, lidar com desafios e ao mesmo tempo fornecer apoio e encorajamento aos liderados. Mas para isso o líder precisa aprender a lidar com suas emoções e seu stress. Pois não adianta simplesmente palavras para promover a saúde no ambiente de trabalho. É preciso o modelo, a aprendizagem pela referência do próprio líder. O líder saudável possui uma competência que lhe garante visivelmente uma qualidade de vida.