terça-feira, 22 de julho de 2008

POR QUE É TÃO DIFÍCIL MUDAR?


José Fabiano Ferraz - Psicólogo - 12 39136519
Observo esta dificuldade no consultório clínico, nas empresas com o trabalho em comportamento organizacional, como professor universitário na relação com os alunos, nos grupos de recuperação em compulsividade e dependência química e na minha vida de um modo geral. Mesmo quando queremos mudar, quando adquirimos a maturidade de consciência da mudança, mesmo assim, mudar é uma tarefa das mais difíceis que encontramos em nossa vida. Observo que acabamos sendo atropelados pelas mudanças, e nos sentimos despreparados para lidar com o diferente que a mudança ocasiona em nossa vida. Foi sentindo no próprio corpo, que descobri primeiro que existe um processo de mudança, ou seja, ela não acontece de uma hora para outra como desejamos. Sabe aquelas mudanças que idealizamos no final de semana para começar na segunda feira, ou as imaginadas durante as férias para iniciarmos assim que voltarmos elas dificilmente acontecem de verdade, pois o processo de mudança não começa com o novo pronto para ser praticado. Descobri também, em minha caminhada de mudanças, que não se trata de força de vontade, ou de estado de espírito como muitos entendem. E sim de uma maturidade em conhecer como o processo de mudança ocorre em mim, como reajo ás situações em minha vida que suscitam a mudança. Outra coisa importante é que não podemos viver a vida sem mudar. Algumas pessoas me perguntam no consultório: mas por que eu preciso mudar? Porque as pessoas ao seu redor estão mudando, porque o seu corpo esta mudando, porque a política, a tecnologia, a sociedade e tantas outras coisas que afetam a sua vida diretamente estão mudando. Não mudamos por capricho ou por modismo, mudamos por necessidade inerente ao processo de existir num mundo em constante mutação. Em minha atividade pude constatar três situações que compõe o processo de mudança, vou tentar passar para vocês estas situações da maneira mais prática possível, pois fazem parte da minha vivência.
A primeira coisa é entender que a mudança começa pelo fim, isso mesmo, e não pelo início e pelo novo. Quando pensamos em mudança, imaginamos o novo comportamento ou a nova atitude que queremos ter diante da vida. Mas precisamos entender que antes que o novo ocorra, devemos viver a separação, o afastamento daquilo que queremos deixar em nossa vida. Então antes de experimentar o novo precisamos aprender a lidar com o fim. Isso por si só é um processo, que possui etapas, dificuldades e precisa de tempo. O fim traz a tristeza, a incerteza, o medo e a angústia. Por mais estranho que possa parecer estamos apegados ao que desejamos mudar em nossa vida e em nossa identidade. Precisamos finalizar algo que nos acompanha durante muitos anos, precisamos aprender a criar distância do que não queremos mais, interromper o padrão que faz parte do ritual automático de nosso comportamento. Deixar que o fim aconteça naturalmente. O tempo pode ser nosso aliado se entendemos que precisamos dele, pois a cobrança por resultados imediatos, traz culpa e muitas vezes retrocedemos e desistimos da mudança. Se conseguirmos finalizar, entramos em outra situação e começamos a sentir um vazio, uma agitação e um incômodo pelo espaço que o fim gerou em nós. Ficamos excitados e ansiosos, pois estamos entre uma coisa e outra, estamos encerrando um comportamento, mas não temos nada novo para colocar no lugar. Precisamos aprender a conviver com a pausa, com a espera, com o indeterminado, com a confusão que se estabelece ao desestruturar um modo de ser no mundo. Por outro lado é uma etapa de criação, estamos com a sensação de liberdade e podemos nos arriscar a novas conexões em nossa vida. Por último vem a etapa em que o novo começa a ganhar forma, em que uma nova ordem começa a se estabelecer em nosso universo de relações. Começamos a ver as situações de outra forma, de outros ângulos e diferentes sentimentos aparecem. Esta é a etapa em que vamos experimentar, vamos testar e praticar o novo que começa a existir em nós. Temos que aprender a nos ver de maneira diferente, e sentir que o velho morre, para que o novo aconteça. Com sucesso ou não vivemos nossas transformações, podemos tomá-las em nossas mãos e perceber que podemos nos modificar a partir do gerenciamento de nossa vida, de criar novas formas de ser no mundo, mudar nossa personalidade e não ficarmos agarrados a idéia de sermos sempre a mesma pessoa, a vida inteira.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

FÉRIAS


José Fabiano Ferraz - Psicólogo - 12 39136519

Estou vivendo aquela sensação que a maioria das pessoas vivem na véspera de sair de férias. O último dia é o mais difícil, parece que não acaba nunca, dá uma preguiça de fazer as coisas. Pois bem estou escrevendo esta coluna, que é o último compromisso antes de fechar o notebook e sair para umas merecidas férias. O termo férias em sua etimologia designa o período de descanso a que têm direito empregados, servidores públicos, estudantes, etc. Geralmente depois de passado um ano ou um semestre, de trabalhos ou atividades. É uma palavra que provém do latim “feria - ae”, singular de feriae, - arum, que significa entre os romanos o dia em que não se trabalha por prescrição religiosa. A palavra latina feria também se encontra na denominação dos dias da semana, do calendário elaborado pelo imperador romano Constantino III d. C. que lhe deu o sentido de comemoração religiosa, no sec. IV ainda por influência da igreja. Prima feria foi substituído por Dominicus dies (dia do Senhor) e septima feria foi transformado em sabbatu, dia em que os primeiros judeus cristãos se reuniam para orar. No Brasil a legislação trabalhista estabelece um mínimo de 20 ou 30 dias consecutivos por ano de férias, sendo que aquele que tem apenas 20 dias pode requerer compensação pelos outros 10 dias em forma de salário. As férias tem o objetivo de proporcionar um período de descanso por lei, o trabalhador não pode se privar das férias nem por vontade própria, ele deverá cumprir 1/3 do período no mínimo.
A importância das férias é tão grande à nossa saúde que é garantida por lei, mesmo que a pessoa queira abrir mão de suas férias. Precisamos nos afastar por um tempo de nossa rotina diária e de nossos compromissos. Algumas pessoas, e hoje em dia não são poucas, vivem numa correria com muita atividade, sempre ocupada com cobranças por todos os lados. Estudam, trabalham, buscam o desenvolvimento pessoal através de cursos de especialização, envolvem-se em projetos e desafios no trabalho. Podemos perceber que estamos precisando de umas férias, quando nosso nível de energia está reduzido, começamos a ter dificuldade de concentrar em tarefas simples e ficamos desinteressados por nossas atividades cotidianas. O corpo nos dá este limite, e é preciso que respeitemos, pois caso contrário estaremos caminhando para a estafa e o stress. Muitas pessoas vendem as férias, ou nem tiram férias. É preciso parar, mudar de ares. Nosso organismo leva aproximadamente uns quinze dias para sair da rotina, em relação a horário e despreocupações. Por isso precisamos de 30 dias, ou no mínimo 20 dias de descanso.
Algumas pessoas evitam sair de férias, pois sentem que ficam mais estressadas quando estão com a família. O período de férias vira uma rotina, vão sempre aos mesmos lugares, com as mesmas pessoas, fazer as mesmas coisas e na mesma época do ano. Tem aqueles que aproveitam as férias para trabalhar e arrumar a casa, fazer obras e reparos, ou coordenar as obras que contrataram. Existem pessoas que tem dificuldade de ficar sem uma ocupação, não conseguem ficar a toa sem fazer nada. Precisamos aprender a descansar, é algo tão importante que Deus quando fez o mundo descansou no sétimo dia.
As férias podem ser programadas ou uma aventura, uma viagem longa ou curta o importante é que por uns dias você se desligue completamente de sua rotina. Mas se desligue também de alguns padrões que fazem parte de sua personalidade. Se você tem o hábito de liderar, deixe que os outros liderem e evite ficar tomando a frente das decisões. Se você é do tipo que faz muitas coisas ao mesmo tempo, procure fazer uma coisa de cada vez e bem lentamente, não tenha pressa. Agora o mais importante é que aproveite suas férias, pois você sabe que após o tempo de descanso existe uma rotina de trabalho te esperando para começar tudo outra vez.
Então BOAS FÉRIAS.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

SEXO!! EU QUERO SEXO!!




José Fabiano Ferraz – Psicólogo – 39136519


Vivemos num oceano de sexualidade, dentro e principalmente fora do corpo. As pessoas organizam suas vidas, tendo como base a sua sexualidade. Mas gostaria de considerar apenas o aspecto do ENCONTRO, dentre os vários envolvidos nesta relação. A sexualidade acontece no encontro. Hoje as pessoas estão cada vez mais sexualizadas, com suas roupas, seus cabelos, suas formas e sexualizando cada vez mais os encontros. Existe uma fragrância de sensualidade na sociedade, que nos chama nos genitais, ao encontro com outra pessoa. Somos excitados por estímulos exteriores e independentes à nossa vontade, nos genitais, à vida e ao encontro. Um casal hoje quando resolve namorar, já passou pelo ficar. Isto considerando uma probabilidade estatística. Vamos entender este ficar com ou sem sexo? Se for com sexo, o casal passa para fase do namoro vivendo um acasalamento. Os desejos e excitações internas que vivemos em nosso corpo buscarão a satisfação e realização. O sexo, hoje vem primeiro no encontro e os encontros acontecem por causa do sexo. O que se chama de sexo sem amor. Dividi-se sexo com amor e sem amor. Ouço também a argumentação de que tem de saber se vai dar certo ou não, no sentido literal do dar. Quer dizer eu vou tendo experiências sexualizadas na vida, até que encontre alguém para amar. Sexo com amor significa que o sexo acontecerá como brinde ao amor. No ENCONTRO, as pessoas criam a relação possível no tempo e no espaço geométrico que ocupam. A sexualidade é um dos estímulos presentes. O amor é um sentimento aprendido, e com isso precisa de tempo, convivência e relação. Nós aprendemos a amar, e desenvolvemos este amor em cuidado, reconhecimento e cooperação. Quando duas pessoas estão intimamente ligadas em suas necessidades, o sexo como intimidade do ser acontece numa relação de profundo gozo, a paixão e o amor convivendo pacificamente no paraíso da sexualidade. Precisamos de uma maneira diferente de orientar o comportamento sexual na sociedade. Vivemos o problema das doenças sexualmente transmissíveis, o pesadelo da AIDS, por causa de desejos sexuais deslocados, tantos desastres à saúde no campo da sexualidade e continuamos excitando os desejos genitais. Não tenho nada contra o sexo, apenas acredito que precisamos aprender a ter relações que realizem o ser, em suas dimensões espirituais, mentais e emocionais. Precisamos pensar nas na família e na sua sobrevivência enquanto instituição social. Entendo por família uma organização humana capaz de reproduzir a si mesma a partir de suas constituições biológicas. Uma família se reproduz em outras pequenas famílias a partir da sua constituição genética. Homem e mulher geram um ser que juntamente com outro ser, gera outro ser... E assim a sociedade.
Mas voltemos ao ENCONTRO, e no que podemos fazer para ter uma relação de encontros que busquem o amor mais do que o sexo. Pessoas cansadas de sexo sem amor à procura de uma relação, conversar e conhecer o outro. Participar da vida, um do outro. Cultivar uma relação, cuidar desta relação e fazê-la crescer para o benefício dos dois. E quando voltarem de uma festa, não esteja dizendo quantas bocas beijaram, mas sim se conheceram alguém com quem irá se encontrar uma segunda vez, inebriado de expectativas pelo próximo ENCONTRO.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

FOBIA SOCIAL


José Fabiano Ferraz – Psicólogo - 12 - 39136519


Hoje em dia cresce o número de pessoas que sofrem de fobia social, embora não existam dados estatísticos que revelem a verdadeira situação da doença na população. A fobia social se caracteriza como uma intensa ansiedade em situações sociais, que requer da pessoa contato interpessoal, de desempenho ou ambos. A pessoa entra num estado de sofrimento excessivo, que interfere de forma significativa em seu cotidiano. Geralmente acaba por afetar alguma área, importante, da vida da pessoa de forma acentuada: no trabalho, nas relações sociais, atividades acadêmicas e até mesmo no lazer. A pessoa que sofre de fobia social tem medo da avaliação do outros, por isso evitam a exposição. Apresentam dificuldade em falar em público, comprometendo sua participação em reuniões, na apresentação de projetos, etc. Na vida social pode apresentar medo de comer, beber, escrever quando outras pessoas estão olhando e até mesmo usar banheiro público. Acontece também da pessoa temer iniciar e manter conversas mesmo informais e descontraídas. O sofrimento com a doença da fobia social vai se agravando, devido ao isolamento social que acontece. Evita sair e se expor, para atividades simples e cotidianas, existem um comprometimento no seu trabalho e na sua vida social.
Quem sofre de fobia social, sente o mal estar constante e o desconforto na presença de outras pessoas. Sente-se inapropriado e inadequado nas situações, e vive um conflito interno, pois a pessoa sabe que seu medo é exagerado ou irracional. A situação torna-se mais constrangedora quando aparece o rubor facial, tremor e sudorese. O medo de parecer ridículo ou tolo, ser o centro das atenções, de cometer erros e de não corresponder à expectativa das pessoas. É comum que a pessoa sinta-se alvo de comentários ou gozação por parte de outras pessoas.
Precisamos entender que a fobia social é um transtorno de ansiedade, uma doença psicológica que precisa de tratamento. Algumas pessoas acham-se tímidas e envergonhadas, aceitam esta situação como um traço de personalidade. Acabam por prejudicar sua vida, perdendo oportunidades importantes no campo profissional, sofrendo principalmente em sua vida afetiva e amorosa um isolamento. A pessoa precisa ter consciência de que existe tratamento para a fobia social. Medo e ansiedade são reações normais diante do perigo, real ou imaginário e não é por si só problema psíquico. Quando medo e ansiedade são mais constantes e persistentes do que seria razoável e impedem a vida normal, aí sim existe um transtorno de ansiedade. As fobias são o medo excessivo, desvinculado de uma ameaça real, de estímulos ou situações específicas.
O tratamento da fobia social envolve um primeiro passo onde a pessoa, aprenderá a reconhecer como a fobia se organiza em sua vida principalmente em seus processos corporais, aprender a olhar a si mesma na situação de exposição social. A expressão emocional do medo, o corpo paralisado, a respiração curta, o coração acelerado. Neste primeiro passo a pessoa aprenderá a ter consciência do medo no seu corpo. Seguimos para um segundo passo onde irá observar de maneira ativa, o processo de “como” o medo se organiza anatomicamente no corpo. Não se trata de buscar as causas, ou explicações do medo, mas contato com as reações corporais, com a experiência do medo no corpo. Nesse estágio do tratamento a pessoa percebe que não é possuída por “algo” que vem de fora, que suas reações corporais são organizadas por ela. Passamos para o terceiro passo, no qual a pessoa aprende a desestruturar o padrão do medo no corpo. Desorganizar os rituais, as formas habituais e involuntárias de expressão, principalmente corporal. Neste passo aprenderá o exercício da sanfona, que irá permitir que desorganize o padrão corporal da forma do medo. É comum nesta fase o medo de perder o controle, o senso de identidade, pois a pessoa está abandonando um padrão que a acompanha por vários anos.
Naturalmente no decorrer do processo, a pessoa terá cada vez mais consciência de “como” seu corpo reage ao encontro com as pessoas, estará cada vez mais apropriada de seus processos corporais. Com isso poderá, de forma criativa, utilizar o que aprendeu para organizar novos padrões. É preciso praticar, praticar muitas vezes os passos, pois é com o conhecimento do que acontece comigo, estando apropriado de minhas reações emocionais no corpo que aprenderei a estabelecer novas conexões em minha vida.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

EU DIGO NÃO?




José Fabiano Ferraz - Psicólogo - 12 - 39136519
Para algumas pessoas dizer “não” é uma tarefa, difícil e angustiante. Sofrem e muitas vezes sentem-se usadas, mas não conseguem fazer nada a respeito, assistem passivamente o desrespeito à sua vontade. Dizer “não” é a expressão de um protesto, como pode ao mesmo tempo ser uma auto-afirmação. Quando criança aprendemos inicialmente a dizer “não” com o corpo, enrijecemos e nos apertamos assumimos uma postura, um padrão de expressão que pode ser o choro, o grito e a teimosia.
Mas por que no decorrer de nossas vidas, para algumas pessoas, dizer “não” se torna algo difícil e angustiante? Muita gente tem problema em dizer “não”, em fazer valer sua posição. E quando dizem “não”, o fazem de uma maneira tão rígida e dura que depois se sente culpada e incapaz de restabelecer a relação do “sim”. Isto acontece porque dizer “não” gera naturalmente, a dor e o risco da distância, traz a incerteza e o aberto de uma relação que se desorganiza, por uns momentos, para reconstruir formas de respeito à individualidade e ao espaço de cada pessoa. Dizer “não” é uma disponibilidade para correr o risco da separação e da solidão. Se você não disser “não”, dificilmente aprenderá a se afirmar, se você não exercer a habilidade de formar e mantiver limites, poderá viver repetidas vezes o papel de vítima. Sentirá que as pessoas abusam de você, que usam você e terá a sensação de que não é reconhecida nem valorizada. Pessoas com dificuldade em dizer “não”, podem sentir-se invadidas, rejeitadas e com muita restrição em ser elas mesmas.
O que é pior nisso tudo é o preço que se paga. Algumas pessoas dizem “não” com o corpo, de forma involuntária, mas não conseguem criar uma forma de expressão que ganhe o mundo. Aparecem as dores pelo corpo, principalmente nas regiões lombar e dos ombros, que denunciam a insatisfação com a vida que estamos levando e o peso que estamos carregando. Outras pessoas dizem “não” com sua irritação, sua impaciência e isolamento, mas não aprendem a lutar nem fugir das situações que lhe desagradam ou agridem. Dizer “não” é uma forma de se proteger e se não aprendemos a fazer isso, sabe o que acontece? Não vamos aprender a lidar com a excitação, que acompanha a autonomia e independência. É isso mesmo, organizar formas autônomas e independentes, despertam, necessariamente, processos excitatórios em nosso corpo que abrem espaço para o novo.
Pessoas com dificuldade em dizer “não”, precisam aprender a confiar, se soltar e descontrair. Podemos aprender a ser diferente, é uma questão de correr o risco da experiência. Pode ser que nas primeiras tentativas de dizer “não”, nossa voz esteja insegura e quase não saia, pode ser que digamos “não” e logo em seguida, inundados de um sentimento de culpa e insegurança troquemos o “não” pelo “sim”. Dizer “não” primeiro cria uma distância, um afastamento devido ao limite que foi colocado; mas também permite a reorganização de uma nova ação, um novo você restabelecendo uma relação e uma expressão que permita o “sim”. Uma forma não precisa, nem deve ser congelada e cristalizada. Da mesma maneira que dizer “sim” sempre é um problema, o mesmo vale para o dizer “não” sempre. A pessoa adota uma postura rígida de “sim” ou de “não” que não condiz com a necessidade do processo de viver, que requer um conjunto temporário de decisões pessoais, que podem ser modificadas de acordo com as circunstâncias.
O processo de viver requer que você aprenda a estabelecer limites, depois suavize estes limites e aprenda a negociá-los. Requer também que você aprenda reformar seu comportamento, atualizar suas formas de expressão emocional. O processo de viver possui uma lei universal de expansão e contração. O que isto quer dizer? Que nos expandimos em direção ao mundo e às pessoas, que buscamos a relação e o contato, mas que também nos contraímos, voltamos para nós mesmos e estabelecemos limites de proteção à vida.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

DIA DOS NAMORADOS, SEM NAMORADO.



José Fabiano Ferraz – Psicólogo – 12 - 39136519

Quantos de nós já não passou por essa situação? Desconfortável e desagradável a angústia que acompanha. Vamos entender essa construção, esse modo meio fantasma que interfere diretamente em nosso humor, podendo nos deixar deprimidos ou ansiosos e eufóricos. Interessante como reproduzimos significados subjetivos com uma corporalidade real e concreta. Por que dói algo que não existe? Interessante como a imagem de um ícone, nos afeta nas pulsações, ficamos ou mais agitados, ou menos agitados, dependendo de nosso entendimento dos acontecimentos. Como podemos ficar angustiados por algo que não existe? Se o namorado não existe, significa que esta data não faz parte do meu calendário comemorativo. Pode ser uma decisão definitiva, ou emergencial. Quando estiver com namorado esta data passa a fazer parte do calendário comemorativo. Pensando racionalmente está perfeita, a solução adequada para problema. Cria-se um significado pessoal e adaptativo sem constrangimentos. O problema é que o afeto é pessoal e intransferível, eu sinto do meu modo, com os meus significados e isto acontece no meu corpo, alterando a pulsação para mais ou para menos. O dia dos namorados, sem namorado é vivido em cada célula com uma pitada de angústia. O que posso fazer? Lidar com essa angústia? Sentir-me ridículo por estar afetivamente abalado por um significado construído no imaginário social? Realmente estas datas comemorativas trazem as duas faces da moeda: dia das mães, dia dos pais, dia das crianças são datas que geram sentimentos ambíguos para pessoas que perderam o motivo de comemorar.
A vida é um processo de aprendizado, se não fosse assim não teríamos chegado a este avanço tecnológico fantástico. Estamos sempre aprendendo, construindo formas para dar conta das situações. O que podemos fazer é aprender a lidar com a angústia. De certo modo, embora possa parecer estranho, precisamos aprender a sentir a tristeza que acompanha estas datas, àqueles que perderam o motivo de comemorarem. Hoje em dia parece que existe uma obrigação de ser feliz, temos que estar sempre rindo e comemorando. Com isso não aprendemos a construir formas, sejam no próprio corpo, sejam nas relações pessoais de viver a tristeza e a angústia. O resultado é o colapso, a pessoa vai segurando, vai segurando até que o corpo entra em colapso e cai diante da depressão ou da ansiedade podendo gerar, dentre outros sintomas, comportamentos compulsivos de comprar, nas mulheres principalmente, como recurso de lidar com o stress.
Mas é possível lidar com a angústia no corpo? Evidente que sim. Preste atenção na sua pulsação. Primeiro identifique a velocidade. Você ficou acelerado? Ou pelo contrário sente-se sem energia e desanimado? Em ambos os casos o próprio corpo produz substâncias químicas que podem nos acelerar ou desacelerar. A ansiedade, no caso da aceleração, pode nos deixar mais vorazes e fazemos as coisas em exagero, comemos demais, bebemos demais, falamos demais, etc. A desaceleração nos deixa desanimada e sem energia, perdemos o interesse pelas coisas e nos entregamos ao momento depressivo que estamos vivendo. É preciso aprender a influir no ritmo e na velocidade do próprio corpo, a respiração é fundamental para isso. Preste atenção em sua respiração se tiver acelerada e curta, procure alongá-la respirando no abdômen. Caminhar ajuda a gastar a energia produzida pelo corpo para lidar com o stress da situação. Principalmente quando se é mais jovem, prevenção e resistência são a chave para mais anos de qualidade de vida. Passar o dia dos namorados sem namorado, desperta um sentimento natural em todos nós, o desejo de ser amado e a falta desse amor. É importante agenciar emocionalmente e socialmente a viagem por este sentimento. Esta semana tive a oportunidade de ouvir algumas moças na faixa de seus vinte e poucos anos, conversando sobre como iriam passar o dia dos namorados sem namorado. Falavam do peso que gera no corpo, pois tudo: televisão, rádio, outdoor vem acompanhado de coraçãozinho, presentes para ele ou para ela. Por mais que queiram esquecer não dá. Todos passamos por isso, pois somos seres afetáveis e nos afetamos com o ambiente. Ainda mais com o bombardeio de propagandas e incentivos ao consumo no dia dos namorados. É preciso ter consciência de que não estamos sozinhos, pois quando passamos por um sentimento desagradável, achamos que somos somente nós no mundo é que estamos vivendo esta situação.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A GREVE DOS MOTORISTAS DE ÔNIBUS


José Fabiano Ferraz – Psicólogo – (12) 39136519 -



Acordamos e iniciamos a rotina diária. Minha esposa toma o seu café da manhã e vai para o trabalho, eu tomo meu banho, faço a barba e aguardo a senhora que fica com minha filha de seis anos até a hora do almoço. Assistindo o jornal da vanguarda, vejo a notícia da greve dos motoristas de ônibus em São José dos Campos. Na mesma hora ligo para nossa colaboradora e vejo que sua situação não é diferente das inúmeras pessoas que moram em bairro afastado e dependem de ônibus. Neste momento dispara o alarme, tenho uma agenda com compromissos, atendimentos, reuniões e como fazer com minha filha de seis anos até a hora do almoço. É uma reação típica de stress que vivenciamos com o atravessamento de questões independentes à nossa vontade. Uma agitação interna se estabelece no corpo, uma impaciência e irritação surgem naturalmente, conseqüência do transtorno da mudança da rotina diária.

O que podemos fazer quando surgem imprevistos que alteram nossos padrões, nossos hábitos? Temos um aparelho cerebral preparado para estas situações de emergência, temos um processo psíquico que nos permite ser criativos e inovadores, capazes de organizar soluções originais e adaptação aos nossos problemas cotidianos. Podemos, frente à situação de stress, construir atitudes adequadas para enfrentar o problema. Precisamos desorganizar a forma de alarme que se estabelece em nosso corpo, alterando nosso ritmo interno, nossa respiração e deixando-nos acelerados. A primeira atitude a tomar é muito simples, mas ao mesmo tempo difícil, reorganizar a respiração. Pois é neste momento em que o cérebro está disparando funções de defesa, acelerando e aumentando a pressão, enrijecendo e potencializando o corpo para ação, que temos dificuldade em nos concentrar na respiração. Veja bem, o corpo é preparado, em momentos de stress, para lutar ou para fugir. Porém nossa atitude deve envolver planejamento e estratégia, pois nossos problemas urbanos não podem ser resolvidos com a potência muscular. A sensação de irritação e impaciência que sentimos, como se algo tivesse tomado conta de nosso corpo, na verdade somos nós mesmos que produzimos. Por isso concentro na respiração, respiro no abdômen, de forma suave sem hiper ventilar, também presto atenção em minhas pernas e deixo o peso do corpo vir para os pés, gerando sustentação em meu corpo frente ao problema que tenho que resolver. É comum em momentos de stress a musculatura ficar rígida e pronta para o ataque, o corpo puxa para cima por isso a tensão nos ombros e no tórax, aprender a deixar o peso do corpo vir para as pernas é uma forma de desorganizar essa prontidão para o ataque.

Com o corpo desarmado do alarme posso pensar com tranqüilidade, converso com a minha filha e explico o que está acontecendo, ligo para minha esposa para organizarmos uma estratégia contingencial e lidar com a situação. A greve dos motoristas de ônibus segue, por mais um dia, mas agora já estamos preparados para enfrentá-la. É assim em nosso cotidiano, problemas surgem independentes de nossa vontade e fazem parte da dinâmica de nossa vida urbana. É preciso aprender a lidar com o stress, de forma eficaz nas suas dimensões: emocional - no caso da greve a irritação e impaciência que geraram em mim-, na dimensão de vínculos e relações interpessoais - ficar nervoso e mal humorado, principalmente com minha filha e minha esposa -, e nos aspectos políticos – compreender que existe uma ordem política, sindicato, governo, capital versus trabalho da qual faço parte, direta ou indiretamente -.